
Barcelona e Corinthians têm São Jorge como santo padroeiro. A ligação do Corinthians partiu das convicções de um português
O dia de São Jorge é celebrado esta quarta-feira, dia 23 de abril. O Barcelona criou uma forte ligação com o santo para homenagear as suas raízes catalãs, já que São Jorge é o santo padroeiro da Catalunha. A ligação do santo com o Corinthians, por sua vez, já conta com mais de 100 anos e teve origem numa ideia de um português.
Mas, afinal, quem foi São Jorge? De acordo com a bíblia, São Jorge nasceu na Capadócia. Segundo reza a lenda, o mártir derrotou um dragão que ameaçava a cidade, acabando por salvar a princesa e libertar a população, o que pode ser uma alegoria à resistência de Jorge perante a opressão e tortura que enfrentou durante o período em que se revoltou contra o Imperador Diocleciano, que tinha decretado o extermínio dos cristãos. Simboliza a proteção e a força.
O Barcelona já homenageou o santo padroeiro na terceira camisola da temporada 2022/23, com a cruz de São Jorge presente no equipamento. Além disso, o governo catalão já condecorou o Barcelona com a Ordem da Cruz de São Jorge.
Este dia é um dos mais aguardados da cidade de Barcelona e de regiões próximas e, por coincidir com o Dia Internacional do Livro, é costume que as pessoas presenteiem entes queridos com uma rosa e um livro. As rosas são um dos símbolos do padroeiro: ao salvar a princesa do dragão, o seu sangue derramado terá se transformado em flores vermelhas.
“Rosas especiais estarão disponíveis para compra, não apenas embrulhadas nas cores blaugrana do clube, mas também para fins de caridade. Os fundos arrecadados com as vendas serão doados à Fundação FC Barcelona, um projeto para promover iniciativas em colaboração com hospitais pediátricos da Catalunha e de todo o mundo, com o objetivo de tornar mais compassivo e humanizado o atendimento a crianças e jovens com doenças graves, tanto em hospitais quanto em atendimento domiciliar”, pode ler-se no site oficial do clube.
A ligação do Corinthians com o santo também foi determinante na história do clube. Tradicionalmente, antes dos seus jogos em casa começarem, o Corinthians convida o historiador oficial do clube, Fernando Wanner, para entrar no relvado enquanto carrega a imagem de São Jorge. Nesse momento, as luzes da Neo Química Arena apagam-se e começa a tocar a música “Filhos de Jorge” no sistema de som do estádio.
Em entrevista ao “GloboEsporte”, o historiador explicou a ligação do clube com a fé. “É um ritual de evocação, primeiro para abençoar todos que estão na arena, porque ganhar ou perder é do jogo. Nós levamos o São Jorge para criar uma aura, uma essência corinthiana. O desporto é algo a parte, São Jorge não está lá para dar sorte ou azar, ele está lá para simbolizar uma tradição e para homenagear o nosso padroeiro”, começou por dizer.
A ligação do timão com o santo remonta ao ano de 1920, dez anos depois da fundação do clube e envolve um português. O Conselho Deliberativo do Corinthians estava a tratar de um processo de mudança de sede e foi, nesse momento, que o luso António Pereira propôs a compra de um terreno que tinha o nome de “Fazenda de São Jorge”. A ideia foi recusada várias vezes até António recorrer à figura do santo. Decidiu colocar a imagem do padroeiro na mesa do Conselho Deliberativo e afirmou que São Jorge convocava o clube para se tornar guia.
“O clube já tinha uma devoção guerreira, um clube de operários, de superação. Houve uma comoção muito forte, ninguém tinha feito essa ligação de que o São Jorge era o padroeiro do Corinthians”, completou o historiador. Em 1926, a aquisição foi efetuada e o local transformou-se, posteriormente, no Parque São Jorge, até hoje sede do clube paulista. “Grande parte dos corinthianos são devotos de São Jorge e, mesmo aqueles que não são, na hora do jogo eles creem em São Jorge porque é um símbolo. Mesmo quem é judeu, muçulmano ou evangélico respeita o que significa São Jorge para o Corinthians. É fundamental esta tradição, não só religiosa, como simbólica. Temos que nos apegar nisso, no poder que a imagem tem”, concluiu Fernando Wanner.
