
Carlos Carvalhal (Créditos: José Carmo/Global Imagens)
Declarações do treinador na antevisão ao jogo da primeira mão do play-off da Liga Europa, contra o Rapid Viena, às 20h30 de quinta-feira
Dificuldades: "Queremos ganhar e passar a eliminatória. É um osso muito duro de roer. É importante estarmos, acima de tudo, respeitar o adversário, que tem muita competência e uma forma de jogar muito característica, que as equipas portuguesas não encontram normalmente enquadramento tático idêntico àquilo que vamos encontrar amanhã, principalmente no momento em que o adversário tem a bola. Quando está a defender joga num sistema em 4x4x2. É preciso humildade, muito trabalho e consciência que o adversário tem o valor. Por isso, é preciso jogar no limite do risco. Jogando no limite do risco, pressuponho que a intenção é vencer e a passar a eliminatória."
Rapid só sofreu um golo nos último cinco jogos! "É uma equipa que tem um coletivo muito interessante e uma dinâmica muito interessante. Ataca com os avançados abertos, com as alas completamente metidas dentro, com os médios a fazer um quadrado com os dois centrais, e os corredores são ocupados pelos laterais. Uma ou outra vez jogam com os avançados metidos dentro, mas continuam a meter muita gente por dentro, a criar muitas dificuldades ao adversário e têm alguma capacidade para ter a bola. Têm dois ou três jogadores que passam muito bem a bola entre linhas. Percebemos isso tudo e temos que interpretar bem aquilo que o jogo está a pedir. No momento em que eles ganham a bola, vai passar pela capacidade de tivermos para condicionar e apertar o adversário, sabendo bloquear o jogo interior para depois conseguir fazer golos nas debilidades, porque têm uma outra debilidade. Obviamente não é uma equipa perfeita e tem debilidades, que não quero falar sobre elas. No fundo, é um jogo muito concentrado, com o apoio da massa associativa do primeiro ao último minuto. Vamos também interpretar bem o que fazer em cada momento do jogo, porque isso vai ser importante e se o fizermos temos boas possibilidades de ganhar uma equipa muito difícil."
Muitas ausências: "Nunca lamento as ausências, só lamento por eles próprios por não estarem integrados no grupo, porque seria uma falta respeito para os colegas que estão aptos e disponíveis. São jogadores do Braga e têm muita competência."
Recuperação de Matheus: "É uma incógnita. Treinou hoje e vamos ver a reação que ele tem ao treino de amanhã. Temos de esperar para ter a certeza absoluta se pode avançar ou não, mas o dado positivo é que ele foi ao campo, treinou e não sentiu absolutamente nada. Jogando, obviamente confiança total no Matheus, se eventualmente não jogar, confiança total no Lukas Hornicek, no Tiago Sá e no João também. Estamos muito bem servidos de guarda-redes e não temos aí nenhum problema."
Risco assumidos: "Vamos ter de arriscar. Mais vale arriscar e ser bem sucedido do que chegar ao fim, não arriscar e depois termos de vencer. Se bem que, se isso, acontecer, já o fizemos também na Suíça. Acredito piamente na qualidade da nossa equipa e na dinâmica que temos para ferir e para fazer golos. Vamos ter que ter a capacidade de não sofrer quando não temos a bola. É um jogo simples, não temos a bola, temos que saber defender e bem, há que saber defender à frente, há que saber defender atrás também, quando temos a bola vamos ter que atacar e nós temos muita qualidade ofensiva para criar dano."
Banza treina na equipa B: "Já o disse anteriormente, não tenho nada a acrescentar e acho que se subentende que qualquer jogador que esteja comprometido com o Braga e com a equipa estará dentro da mesma, se não estiver estará fora e isso serve para todos os funcionários do Braga e são remunerados. Isto é uma questão de compromisso, toda a gente aqui dentro desta casa tem que ter compromisso com a equipa e com o clube."
Velocidade e frescura física do Rapid Viena: "Rapid é uma equipa física, que gosta de velocidade, de transições e de espaço. Compete-nos a nós fazer com que eles não façam uma condução na autoestrada e vão naquelas estradinhas que vamos aqui por Palmeira,. Temos de criar-lhes um movimento na estrada que eles não consigam fazer esse tipo de vertigem. Taticamente temos de ser perfeitos para vencer a jogo. E acima de tudo, mais uma vez, respeito para o adversário, humildade, trabalho, foco e muita disciplina."
Pouco tempo para treinar: "Treinos aquisitivos, desde que cá chegámos, não fizemos absolutamente nenhum, não tivemos hipótese, tendo em conta a densidade de jogos. Estamos a recuperar e a preparar o lado estratégico. O vídeo tem sido um instrumento fundamental, até porque o nível de compreensão dos jogadores é muito elevado. Não acontece isto em todos os grupos de trabalho, nem em todas as equipas. Já trabalhámos em equipas em que utilizávamos o vídeo e não chegava, era necessário muito mais do que o vídeo."
Entendimento entre Vítor Carvalho e Zalazar: "Vou chamar o Vítor e o Zalazar em função daquilo que fizeram de bem no último jogo, por exemplo, dos posicionamentos que fizeram menos bem, não só de uma forma coletiva, mas também setorial ou às vezes individual, de correção daquilo que pretendemos para ir ao encontro daquilo que é o nosso jogo. Chamadas de atenção através do vídeo também."
Evolução de Vítor Carvalho: "Tenho seguido a evolução do Vítor, até porque ele tinha um treinador de quem sou muito amigo, o Ricardo Soares, que está na China. Ele falava muito do Vitor e eu segui a evolução dele. Há coisas que o Vítor esqueceu com o tempo e agora vai relembrar rapidamente, porque é uma questão de memória, nomeadamente uma outra situação de receção de bola para virar para o corredor contrário. Ele fazia isso muito bem e neste momento está a fazer menos um bocadinho. É um jogador que vejo mais na posição 6, que dá cobertura a todos os outros e solidário com a equipa. Numa ou noutra situação, em função da nossa dinâmica, pode aparecer um pouco mais à frente, como foi no caso da assistência para golos que ele fez no jogo na jogo na Suíça. Tem abertura também para fazê-lo, não de uma forma tão regular como o segundo médio. Estou muito satisfeito com ele. Tem boa capacidade física e joga muito bem de cabeça. Ele e os centrais fizeram um jogaço na Suíça, apesar de um pequeno erro de Niakaté. A equipa fez um jogo fantástico e eles estiveram exemplares. Está no bom caminho e a trabalhar bem."

