"Acho que Kompany pensa que é Deus, se fosse outro a cometer aqueles erros..."

Kompany perde o estatuto de treinador do Anderlecht em dias de jogo
Mário Cruz/Lusa
Início desastrado de época sob o comando do jogador-treinador ditou uma chicotada parcial na equipa técnica do Anderlecht.
Treinador- jogador: o duplo papel de Vicent Kompany no Anderlecht terminou, pelo menos parcialmente, após quatro jogos sem vencer. O clube belga está a braços com o pior arranque de campeonato dos últimos 21 anos e para remediar a situação optou por uma chicotada psicológica, no mínimo, original: o ex-jogador do Manchester City, que abandonou o campeão inglês após 11 temporadas para voltar à Bélgica, continuará como treinador, mas deixa de ter essa autoridade em dias de jogo, delegando a função, e as decisões táticas, a Simon Davies. Assume, em contrapartida, a braçadeira de capitão.
Duas derrotas e dois empates depois, o Anderlecht procura a primeira vitória na liga e espera,com esta decisão, que o foco de Kompany em tarefas exclusivas enquanto jogador possa contribuir para uma resposta à altura do forte investimento que foi feito.Além de Kompany, que, aos 33 anos, acertou um contrato de três anos, foram ainda recrutados jogadores de créditos firmados, casos de Chadli ouNasri. "Kompany tem de ser mais jogador em dias de jogo", explicou Davies, ex-chefe de academia do City que acompanhou o internacional belga na mudança. "Ele tem de estar disponível para liderar a equipa no relvado e, embora muitas coisas possam ser simuladas por antecipação, há sempre decisões a tomar nos jogos e essas passam a ser da minha responsabilidade", acrescentou. "Estamos em processo de nos conhecermos todos uns aos outros e chegámos à conclusão de que esta poderia ser a solução", vincou ainda.
O duplo papel de Kompany já tinha sido alvo de reparos, porque, além disto, ainda mantém o estatuto de internacional. Marc Degryse, ex-jogador, foi crítico. "A maior parte dos treinadores aproveita as pausas internacionais para trabalhar com a equipa, mas Kompany vai jogar pela seleção e terá um jogo de homenagem em Manchester. Acho que ele pensa que é Deus", vincou, além de ter criticado o rendimento numa derrota recente: "Se fosse outro a cometer os erros que ele cometeu, o treinador ia criticá-lo e colocá-lo no banco".
A nova solução estreia-se hoje, no Genk-Anderlecht.
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