Pugilista quer matar um opositor porque é legal

Pugilista quer matar um opositor porque é legal

Será este o tempo para deixar de chamar ao boxe "nobre arte" ou "sweet science" ("ciência doce", na versão britânica)? Pelas palavras do norte-americano Deontay Wilder, já nada disso faz sentido

"O boxe é o único desporto em que podes matar alguém e ainda te pagam" - esta foi uma das aleivosias saídas da boca de Deontay Wilder, campeão mundial de boxe na categoria de pesos pesados da versão WBC.

É considerado comportamento normal que os lutadores apimentem os combates com declarações ousadas e provocações. Há até alguns números de arrufos - verdadeiras encenações - entre os contendores na cerimónia da verificação de pesos, quando é promovido um cara a cara promocional. Desta vez, contudo, Wilder foi longe demais, ameaçando a vida de Dominic Breazeale, o desafiador.

"A vida de Breazeale está em jogo neste combate. Ainda estou à procura de um cadáver para o meu palmarés", afirmou o Bombardeiro de Bronze, como é conhecido nos meios do boxe.

Quando os jornalistas presentes na conferência de Imprensa lhe perguntaram o que pensaria o público sobre as afirmações que acabava de fazer, Wilder soltou novas pérolas. "Dominic Breazeale foi quem pediu isto, não fui à procura dele. Ele procurou-me. Então, se chega... Este é um desporto brutal, não é um desporto de cavalheiros."

A história de quem procurou quem para combater tem uma explicação. Deontay Wilder defendeu o título pela última vez contra o inglês Tyson Fury. Os juízes deram o combate como empatado e Wilder prometeu a desforra ao britânico, mas as negociações para novo combate foram interrompidas porque Fury mudou de agente. Foi assim que Dominic Breazeale entrou em cena. Quanto a Wilder, continuou a desfiar as contas de um rosário de disparates. "Neste momento em particular, temos muita hostilidade entre nós. Este é o único desporto em que que se pode matar um homem e ganhar dinheiro com isso ao mesmo tempo. É legal. Porque não hei de usar o meu direito de o fazer?"

Há um mês, depois de anunciado o combate, Deantay afirmou que Dominic Breazeale já podia "ir fazendo os preparativos para o funeral".

O recurso a este tipo de declarações, que tanto desagradam à comunidade do boxe, começou há dois anos, antes de Wilder enfrentar (e vencer) Bermane Stiverne.

Recado para Joshua

Se derrotar o próximo opositor e conservar o título de campeão mundial da WBC, Deontay Wilder tentará a seguir reunificar os títulos, quatro dos quais (WBA, IBF, IBO, WBO) estão na posse do britânico Anthony Joshua.

Partindo do princípio de que ganha, já começou a apontar ao próximo alvo. Ontem também deixou uma provocação a Joshua: "Não te preocupes, mariquinhas. Estou a chegar. Agora não tens para onde fugir. Queres o bicho papão?"

O Bombardeiro de Bronze prosseguiu com os mimos e quer defrontá-lo nos Estados Unidos. "Em Inglaterra, eras um peixe grande num lago pequeno, bem-vindo à América. O meu povo merece [ver o combate]. Não tens para onde fugir. Quando chegar a hora, não recuses as ofertas. Vais ver aquilo que tenho para ti."

Anthony Joshua, que impôs a Dominic Breazeale a única derrota da carreira, prevê que Wilder sairá vencedor, mas não diz se está ou não disposto a defrontá-lo.

Joshua, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Londres"12, tem no currículo profissional 22 combates, com 22 vitórias, 21 das quais por KO.