Uma viagem aos museus de Benfica e FC Porto: há espaço para mais uma

Uma viagem aos museus de Benfica e FC Porto: há espaço para mais uma

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Carlos Gouveia/Paulo Nunes Teixeira

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O capitão de Benfica ou FC Porto vai erguer a Taça de Portugal que tornará mais rico este espaço de águias ou dragões.

Espaços nobres que dão conta da história dos clubes, é nos museus de Benfica e FC Porto que haverá um espaço reservado para a Taça de Portugal. Em Coimbra, o capitão da equipa vencedora erguerá o desejado troféu que encerra a mais longa época do futebol português e o destino da Taça tornará o museu, naturalmente, mais rico.

O JOGO falou com duas figuras ligadas a esta área específica nos encarnados e dragões que deram a conhecer a forma como trabalham. No emblema da Luz, que hoje procura a 27.ª Taça de Portugal, Luís Lapão já estava na área do património, antes de entrar para o grupo de trabalho constituído com vista ao museu Cosme Damião, inaugurado em 2013. "A minha tarefa foi de curador, de definir o que seriam os conteúdos da exposição permanente do museu e todo o projeto em geral. A grande dificuldade foi selecionar e contar uma história riquíssima do modo mais justo possível. É esse o papel de curador", afirma Luís Lapão, que tem essa função no museu das águias.

No FC Porto, que ambiciona coroar 2019/20 com a dobradinha, é Mafalda Magalhães quem coordena o museu. Desde 2008 no Grupo FC Porto, passou a exercer funções de diretora a partir de 2013. "Trabalhamos intensamente e com grande paixão, exigência, profissionalismo e criatividade, em todas as áreas de atividade do museu. O trabalho desenvolvido na área educativa, património e programação tem contribuído fortemente para o crescimento da afluência e atividades do museu e para a promoção do destino Porto e Norte de Portugal", diz Mafalda Magalhães.

Protagonistas de uma luta a dois ao longo da época e que terá hoje mais um capítulo, há pontos de convergência na filosofia dos museus de Benfica e FC Porto. "O FC Porto é uma marca de projeção internacional e o seu museu é um veículo de transmissão de valores como cidadania, resiliência e perseverança, que tem ajudado a preservar o enorme património do clube e a alcançar, sobretudo, o desafio de ultrapassar a barreira das diferenças sociais", considera Mafalda Magalhães, destacando a faceta inclusiva do museu e "existência de profunda participação na história e na vida da cidade do Porto, desde o ano de 1893, realidade que transparece no museu em todas as suas facetas".

No lado do Benfica, Luís Lapão fala com entusiasmo de uma obra que "conseguiu assumir-se como exemplar e um modelo a seguir por muitos museus lá fora". "O museu teve a capacidade de olhar ao presente e futuro e dar não só aos adeptos do clube, como ao público em geral, a oportunidade de visitá-lo, até mesmo para quem não gosta de futebol. Conseguiu convencer-se o público pelo trabalho feito em prol da memória do desporto, mas também da cidade de Lisboa", sublinha o curador do museu dos encarnados.
Face à pandemia, os espaços, entretanto reabertos, sofreram naturais perdas de visitantes, mas têm sido retomadas as atividades presenciais de acordo com todas as medidas exigidas pela Direção Geral da Saúde.

Em desacordo quanto ao desfecho
Pese o desfecho do campeonato e a forma como o FC Porto recuperou o atraso pontual para o Benfica, Luís Lapão tem confiança no triunfo encarnado. "Acho que o Benfica vencerá, independentemente do que aconteceu na Liga. Gostaria que ganhasse nem que fosse por 1-0, como na final de 1980, talvez a primeira grande final da Taça com que me lembro de vibrar", diz o curador do museu Cosme Damião. Já Mafalda Magalhães discorda e aguarda por uma nova conquista do campeão nacional. "O FC Porto vai ganhar o jogo e trazer mais um troféu para o nosso museu", refere a diretora.