Um reencontro na grande festa da Taça: "Se ganhar até lhe canto dois fados!"

Um reencontro na grande festa da Taça: "Se ganhar até lhe canto dois fados!"

Pepa, treinador do Paços de Ferreira, e dois membros da equipa técnica reencontram, domingo, a Sanjoanense, onde tudo começou.

Quando o sorteio da quarta eliminatória da Taça de Portugal ditou um Paços de Ferreira-Sanjoanense, a alegria tomou conta de Pepa, treinador dos castores, e dos adjuntos Pedro Azevedo e João Ricardo. Afinal, foi nos alvinegros que em 2013 o técnico começou a trilhar a carreira numa equipa sénior e foi também ali que começou a trabalhar com Pedro e João, naturais de São João da Madeira. Pepa venceu um campeonato e uma Supertaça distrital, mas as amizades marcaram mais que os títulos. José Luís, roupeiro da Sanjoanense, clube do Campeonato de Portugal, passou a técnico de equipamentos precisamente em 2013, e dessa equipa resta, ainda, o guarda-redes Diogo Almeida. O JOGO promoveu o regresso de Pedro Azevedo e João Ricardo ao Estádio Conde Dias Garcia para reencontrarem dois amigos que serão adversários no domingo. José Luís não estava a contar e o sorriso tomou conta da cara do roupeiro. "A mim não me cumprimentas?", pergunta-lhe Diogo Almeida. "A ti vejo-te todos os dias", responde José Luís. No fim de contas, já passaram mais de quatro anos desde que Pepa e companhia saíram da Sanjoanense. "Estás mais magro", diz José Luís para João Ricardo. "Isso é que são palavras", agradece-lhe. "Isto está tudo mudado", nota Pedro Azevedo.

Num ápice, a conversa passa a provocações... amigáveis. "Fiz do Diogo um guarda-redes. Ele não tinha braços", brinca João Ricardo. Por sua vez, José Luís já tinha pedido aos deuses para defrontar o Paços. Uns dias antes do sorteio, Diogo Almeida enviou um vídeo a Pepa com uma mensagem do roupeiro. "Pepa, mando-te um forte abraço e Deus queira que na Taça calhes contra a Sanjoanense", desejou. O destino fez-lhe a vontade, embora o técnico "gostasse" de voltar ao Conde Dias Garcia, como conta Pedro Azevedo. José Luís gosta de animar o balneário com fados e já assim era há cinco anos. No domingo, se vencer, Pepa voltará a ouvir as cantorias. "Se ganhar até lhe canto dois fados!", promete, embora não seja muito aconselhável. "Zé, se ganhares é melhor fugires...", adverte João Ricardo, que tem a família dividida. "Fiz toda a minha formação, enquanto jogador, na Sanjoanense. Alguns dos meus familiares até pendem mais para a Sanjoanense."

No entanto, o ditado não perdoa e a amizade não entra nos negócios. "Temos obrigação de ganhar", avisa João Ricardo. "O Pepa ficou no meu coração. Aconteça o que acontecer, no final vamos continuar amigos", garante José Luís. Que venha, então, esse reencontro na grande festa.