O dia seguinte de um herói da Taça: "O Instagram foi abaixo com tantos comentários"

O dia seguinte de um herói da Taça: "O Instagram foi abaixo com tantos comentários"

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Rui Gomes foi o responsável pela queda da primeira equipa do principal escalão ao marcar no Leiria-Portimonense. Demorou a adormecer e recebeu imensas mensagens que bloquearam as redes sociais

Rui Gomes, 23 anos, demorou a pegar no sono depois de ter sido o herói da Taça na vitória do Leiria, por 1-0, com o Portimonense. O extremo, contratado esta temporada ao Mafra, chegou a casa ainda a sentir a "adrenalina do jogo" e teve, inclusive, alguns problemas com o telemóvel devido à quantidade de... mensagens que recebeu. "Quando liguei o telefone, o Instagram até foi abaixo e tive que apagar a aplicação e reiniciar. Não estava habituado a ter tantos comentários. Tentei responder a quem conhecia e a quem não conhecia", contou a O JOGO. "Herói da Taça? Parece-me bem. Sei que não sou um jogador conhecido, mas espero ter muitas mais conquistas como a de ontem [anteontem] que me façam ir mais longe no futebol", referiu o atual melhor marcador da prova-rainha. Na primeira eliminatória, a União bateu o Crato por 4-0 e Rui Gomes assinou um hat-trick. "Na época passada joguei pouco e agora estou a ter mais oportunidades e minutos. Gosto de ter a bola colada ao pé, não sou de muitas fintas nem de passar o esférico por cima dos pés, mas consigo enganar os adversários com movimentos de corpo", descreve-se.

Natural de Merelim de S. Pedro, concelho de Braga, o pai de Rui Gomes começou por inscrevê-lo nos traquinas do Merelinense até o Braga contratar nos Infantis. "Andavam atrás de mim desde novinho, só que eu tinha medo de me afastar dos meus amigos", recorda. Três anos nos arsenalistas e nova mudança, para o Benfica. "Fomos a um torneio que era a Taça dos campeões e fiquei no melhor onze da prova. O Benfica contactou-me e aí já não tive medo. Ainda precisei de convencer a minha mãe que não estava feliz com a ideia", conta. "Seixal? Era só craques. Rúben Dias, Renato Sanches, Diogo Gonçalves... adorei estar lá e foi onde mais evoluí", reconhece.

No entanto, o ala resolveu tornar a mudar de ares quando passou a sub-19. "Sabia que não ia ter tantos minutos e fui para o Vitória, porque achei que ia jogar mais. As duas épocas de Juniores correram muito bem. Na equipa B faltou mais consistência", assume. Rui Gomes saiu do berço em 2018, ficou um ano no Gil Vicente, no Campeonato de Portugal, e na época seguinte integrou a pré-temporada da formação então orientada por Vítor Oliveira, mas não convenceu e desceu à II Liga, para representar o Mafra. "Comecei a jogar, lesionei-me e estive fora dois meses. Quando estava a voltar, o campeonato acabou... O azar que tive no ano passado é a felicidade desta época", atira. E marcou um golo que jamais esquecerá.


Se não fosse o futebol, talvez tivesse virado um economista

Entrar na universidade não foi possível para Rui Gomes, que passou a profissional desde que subiu a sénior. O extremo completou o ensino secundário e não descarta, um dia, tirar um curso de desporto ou de... economia. "O meu pai é bancário e todo dado a números e eu também gosto de matemática. Se sei o meu número de golos e assistências? Claro, tenho cinco golos e duas assistências", contabiliza. O Leiria tem uma nova SAD, elogiada pelo ala. "É um projeto sério, que merece ser apoiado e que tem como objetivo subir à II Liga. Temos vários jogadores que passaram pelos campeonatos profissionais e todos são excecionais", valoriza.