Nem é o habitual titular do Leça, mas acabou a ser herói na Taça: eis Gustavo Galil

Nem é o habitual titular do Leça, mas acabou a ser herói na Taça: eis Gustavo Galil
Manuel Casaca

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Gustavo Galil, guarda-redes brasileiro de 23 anos, revela que a estratégia para defender os quatro penáltis do Arouca passou por fazer jogo psicológico para enervar os jogadores no momento decisivo da eliminatória.

Galil, Gustavo Galil: eis um nome que entrou na história do Leça e da Taça de Portugal. O guarda-redes brasileiro, 23 anos, nem sequer é o habitual titular e foi o herói de uma tarde mágica, ao defender quatro dos cinco penáltis apontados pelo Arouca, na partida em que o clube do quarto escalão nacional eliminou o da Liga Bwin, proeza que a prova rainha não testemunhava há dez anos.

"Não sou apenas eu o herói. Para chegar às grandes penalidades foi preciso todo o grupo. Não direi com falsa modéstia que não fui, talvez, o grande nome desta decisão; sei que fui e sei dessa responsabilidade, mas estou ali para isso, e só foi possível graças a todo o espírito de sacrifício dos meus companheiros, da equipa técnica e do staff. É uma vitória do Leça e fico feliz por ter ajudado", declarou o guardião, que cumpre a quarta temporada no clube de Leça da Palmeira, concelho de Matosinhos, depois de ter passado pelo Canidelo, Varzim e Sobrado.

É com humildade que Gustavo Galil garante não ser "um especialista" a defender grandes penalidades, mas na sua conta já estão vários. "Costumo defender alguns penáltis, trabalho muito durante a semana e fui feliz. Acertei nos lados e consegui fazer um jogo psicológico com eles, e deu certo. Importante é que passámos", destacou, recordando outros momentos decisivos na marca dos 11 metros: "Já tinha defendido, em Leça, dois penáltis, há dois anos, contra a Oliveirense, também para a Taça de Portugal, mas quatro é inédito e não sei quando farei isto de novo, porque realmente não é uma marca fácil de alcançar."

A inspiração teve uma fonta: deve-a ao facto de seguir com atenção a carreira do Diego Alves, guarda-redes do Flamengo e que já passou por Atlético Mineiro, Valência e Almeria. "O Diego Alves é uma inspiração. Era um especialista em penáltis, em Espanha, e usa muito o jogo psicológico. Sempre fiz isso, costuma correr bem, e com o Arouca assim foi", revelou o habitual guarda-redes do Leça na Taça, já que a titularidade no Campeonato de Portugal tem sido entregue a João Pinho.

O dia até tinha começado mal

O dia até tinha começado mal para António Pinho, devido ao estado de saúde de um familiar, mas o presidente do Leça acabou por ter motivos para sorrir, ao entardecer, depois de ter "sofrido muito" nas grandes penalidades que eliminaram o Arouca. Agora, para o sorteio de quinta-feira, não tem preferência. "Venha um pequeno ou um grande, vamos fazer o nosso melhor para tentar vencer e levar bem alto o nome do Leça."

António Pinho contou que a eliminatória com o Arouca não deu prejuízo, mas pede mais espetadores no estádio e transmissão televisiva, para que as receitas aumentem.

"Logo à partida, temos um valor de participação que a Federação Portuguesa de Futebol dá aos clubes, mas só para o policiamento foram cerca de 1.000 euros, porque estávamos a defrontar uma equipa da Liga Bwin e os valores são mais altos. Para complementar a situação, as receitas são a dividir por três partes. O que quer dizer que convém, em todos os jogos que se possam fazer aqui, que haja uma massa associativa significativa, quer de um lado, quer do outro, para podermos pagar estes valores relativamente altos", alertou, "ainda a recuperar" do revés de ter sido inviabilizada a inscrição na recém-criada Liga 3, por dívidas de 630 mil euros ao Fisco. A Sanjoanense foi repescada para a vaga do Leça.