"Marco Silva seria o culpado e acabou como um herói"

"Marco Silva seria o culpado e acabou como um herói"

Antigo treinador do Sporting e Braga assistiu à final da Taça de Portugal e ficou impressionado com a capacidade de sacrifício dos leões. Apesar de entender que o Sporting é mais forte com o presidente Bruno de Carvalho e o técnico Marco Silva, entende que "não há nada a fazer" se não se entenderem

As emoções da final da Taça de Portugal também se fizeram sentir nos Emirados Árabes Unidos. Atual treinador do Al Wahda, José Peseiro deixou a sua marca no Sporting e Braga e, por isso, não tirou os olhos da televisão até ao fim das grandes penalidades, que ditariam o triunfo dos leões. Em declarações exclusivas a O JOGO online, o antigo técnico de leões e arsenalistas sentenciou que "qualquer uma das duas equipas podia ter vencido" aquela "final tremenda". "Não foi um jogo bem jogado, mas foi sensacional pela imprevisibilidade e intensidade com que foi disputado. Fez muita gente vibrar e até sonhar", analisou, certo de que Marco Silva não escaparia ao rótulo de vilão caso o Sporting não conseguisse repor a igualdade nos últimos 10 minutos do jogo. "Seria o culpado de tudo e acabou como um herói. Até a crítica mudou de perspetiva: o Sporting deixou de estar desanimado e sem vontade para merecer a vitória, porque lutou até ao fim", referiu.

Apesar do momento festivo, é latente o afastamento entre Bruno de Carvalho e Marco Silva. José Peseiro entende que juntos tornam o Sporting mais forte, mas o divórcio poderá ser irreversível. "Já em dezembro cheguei a dizer que isto não fazia muito sentido: o treinador é adorado pela massa associativa e o presidente está a recolocar o clube ao nível que merece. É importante que se entendem; caso contrário, não há volta a dar. Para já, tem dado bons frutos: uma Taça de Portugal, um terceiro lugar no campeonato e uma presença muito positiva na Champions", enumerou.[destaque:4593740]

De volta à final do Jamor, José Peseiro achou curiosa a forma como o Sporting chegou aos golos. "Houve erros defensivos nos quatro golos. Só que o Sporting marcou em lances de futebol direto, o que é anormal. O Sporting é uma equipa que constrói e, por isso, fez golos de uma forma contra natura", observou o treinador, certo de que os leões foram para o prolongamento "mais moralizados". "Chegar ao 2-2, com apenas 10 em campo, é uma coisa impressionante. Já para o Braga foi uma pancada enorme, daí que passaram a ter mais receios. O Sérgio Conceição tentou, de certeza, combater isso, mas não era fácil", referiu.

Por essa altura, já William Carvalho e Adrien enchiam as medidas de José Peseiro. "O William não esteve muito apurado no passe, mas fez um trabalho impressionante a meio campo, juntamente com o Adrien, especialmente quando o jogo chegou a estar partido no segundo tempo. Fizeram muito bem as compensações e correram quilómetros", explicou, elogiando, por fim, a segurança de Rui Patrício. "No prolongamento, foi excelente ao defender aquele remate do Salvador Agra", recordou.