Da Academia Sporting até à pastelaria

Da Academia Sporting até à pastelaria
Rodrigo Cortez

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Adversário do V. Guimarães tem um médio, Diogo Soares, que esteve sete anos a treinar e jogar "de verde e branco".

Treinou e jogou durante anos na Academia Sporting, mas não teve o mesmo destino que Cristiano Ronaldo, João Moutinho ou Nani, só para falar em alguns dos melhores que cresceram nas escolas leoninas. Enquanto esses ganham milhões ao ano, Diogo Soares só recebe quando o seu Santa Iria ganha ou empata: 40 euros em caso de vitória e 20 se a equipa empatar. "Fiz formação no Sporting e no Sacavenense, entre outros. Estive sete ou oito anos em Alvalade, até sair, já no escalão de juvenil. Joguei lá com o Carlos Mané ou com o Josué, que vou agora defrontar", conta, aludindo ao encontro de hoje entre o Santa Iria e o V. Guimarães, a contar para a terceira eliminatória da Taça de Portugal.

Para compor o orçamento, Diogo, com 24 anos, viu-se obrigado a ir trabalhar. "Agora estou numa pastelaria, nas Laranjeiras. Trabalho oito horas por dia e praticamente estou quase sempre de pé. Recebo o ordenado mínimo", conta Diogo, complementando a informação quanto aos turnos a cumprir: "Entro todos os dias às 7h00 e só saio às 15h00. Muitas vezes, ao domingo, saio às 12h00 e venho depois jogar pelo Santa Iria".

Longe, bem longe, estão os tempos da Academia, onde foi recusado, segundo diz, por ter uma altura abaixo da média. "Na altura diziam que era baixinho e foi por isso que saí. Bateram-se com isso e fui emprestado. Depois ainda voltei, mas saí outra vez e já não voltei", conta, ele que agora mede cerca de 1,70m. Com o atual penteado, de cabelo em pé, a altura sobe um pouco mais. "Talvez chegue ao 1,76m", confirma, entre risos.