Ceitil e o milagre na Cova da Piedade

Ceitil e o milagre na Cova da Piedade

No espaço de um quarto de hora e com menos um jogador em campo, o clube do CNS conseguiu uma reviravolta de 0-3 para 4-3

A freguesia da Cova da Piedade, do concelho de Almada, tão cedo não vai esquecer o 18 de outubro, dia em que a equipa local fez magia na Taça de Portugal. Aos 78", o segundo classificado da Série H do CNS perdia por 3-0 com o Alcanenense, da Série F, que jogava em superioridade numérica. A partir daí, de cinco em cinco minutos, o Cova da Piedade marcou, até ao golo final, aos 90+3", por André Ceitil, que deu um apuramento estoico para a quarta eliminatória. Momento de sorte? O treinador Sérgio Boris diz que não, e o que resultou mesmo foi a estratégia delineada. "Com menos um e a perder, não havia tempo nem capacidade para darmos uma resposta através do nosso modelo de jogo normal. Apostámos em jogar direto, tentámos atacar a segunda bola e entrar no último terço do adversário", conta a O JOGO. Após o empate a três, conseguido aos 88", o técnico tomou a decisão que os jogadores aplicaram no relvado e os adeptos pediam das bancadas. "Sentíamos que o adversário não estava a perceber o que estava a acontecer e achámos que não era o momento para ir a prolongamento. Quando os jogadores me perguntaram, eu disse que era para arriscar e jogar para ganhar", revela.

Com um avançado substituído ao intervalo e outro expulso no início da segunda parte, no ataque estavam Diogo Caramelo e Ceitil, que é médio-defensivo mas forte no jogo aéreo, uma arma que resultou: o trinco virou herói, mas prefere continuar a jogar longe da baliza. "Sinto-me bem na minha posição. Agora queria apanhar uma equipa acessível para passar mais uma eliminatória, mas defrontar um dos grandes seria uma das melhores coisas que nos podiam acontecer", argumenta o jogador que passou pelas escolas do V. Setúbal, onde privou com Rúben Vezo, que, no Facebook do clube, lhe deu os parabéns e ironicamente perguntou o que andava a fazer em terrenos tão adiantados. Já o presidente Paulo Veiga pede agora um grande para ajudar a abater o "passivo elevado", que ronda os 200 mil euros.