
Escultura de Umbelina de Barros foi expulsa de Aveiro e de Cascais
"A partir das cinco, não faço mais um c..." - esta a frase que ficou famosa nas Caldas da Rainha para ilustrar o horário de saída de um qualquer trabalhador das oficinas onde são feitas as figuras brejeiras de cerâmica típicas da cidade. Há-os em canecas, bonecos (puxa-se um cordelinho para evidenciar o dito cujo em cerâmica) e tantas outras representações artísticas.
E, depois, houve um deles gigantesco, mais concretamente com 2,47 m (na foto), que causou celeuma q.b. por esse país fora. Esteve em exposição em Aveiro e em Cascais, mas seria expulso de ambos os locais devido às queixas das populações.
"Em Aveiro, estava num largo onde havia um mercado e uma igreja. O padre local não gostou e as peixeiras também se insurgiram. Algumas até manifestaram desagrado com linguagem mais vernacular do que a própria peça. Houve uma que me disse: "Sente-se você em cima dele", conta Umbelina de Barros, casada com um antigo jogador do Caldas.
"Meta isso no sítio onde as galinhas põem ovos. Leve-a para o seu jardim que lá é que isso está bem", disse-lhe outra peixeira. "Mas a verdade é que as vendas até estavam a subir, porque havia pessoas que iam lá de propósito só para ver a peça", conta, agora, com boa disposição, mais de cinco anos depois deste episódio.
Verdade é que a obra devia ter estado três meses em exposição no largo aveirense e ao fim de uma semana já a autarquia local estava a telefonar a Umbelina para a levar dali para fora.
"A mim o elemento masculino não me intimida de forma nenhuma. Toda a gente tem, mas ninguém fala dele. Há uma vergonha que na minha opinião tem que deixar de existir. Se as minhas peças não têm sido bem vistas creio que é por uma questão de falso pudor. Se fosse feito por um homem não havia problema, mas como é uma mulher..."
Sobre esta campanha do Caldas na Taça de Portugal, Umbelina tem impressão positiva. "É bom para a cidade porque há muito tempo que não se falava dela", considera. "O Caldas é o maior", acrescentou depois, entre risos, aludindo ao mesmo tempo ao tamanho da sua obra.
