Um livro por dia: retalhos da vida do jogo bonito

Um livro por dia: retalhos da vida do jogo bonito
Filipe Alexandre Dias

Eduardo Galeano verte a sua devoção pelo desporto-rei como só um sul-americano sabe fazer.

Num livro de crónicas curtas e suaves, Eduardo Galeano verte a sua devoção pelo desporto-rei como só um sul-americano sabe fazer: com paixão e sangue a escorrer pelas letras, hábeis no caso deste uruguaio que em criança sofria horrores pelo seu adorado Nacional de Montevideu. Jornalista, pintor, dactilógrafo, empregado bancário, Galeano, falecido em 2015, foi acima de tudo um escritor premiado e consagrado. A sua obra está a ser novamente publicada em Portugal pela editora Antígona e este "Futebol ao sol e à sombra" revela a plenitude do olhar sobre o jogo bonito deste adversário indomável do capitalismo e da sombra dos Estados Unidos sobre a sua América Latina, talvez o amor maior da vida do autor, a par da sua esposa, Helena Villagra.

Desde histórias dos primórdios do futebol uruguaio, antes ainda de 1930 e de a equipa charrúa ser a primeira de todas as campeãs mundiais na sua sala de estar recém-construída - o Estádio Centenário -, passando pela saga de Obdulio Varela e dos celestes que voltaram ao topo do mundo impondo a maior derrota da história do futebol ao Brasil no célebre "Maracanazo", até às últimas décadas do século XX. Aqui está tudo: a alegria do jogo; os seus heróis gloriosos e trágicos; a vida que pode fugir depois da vitória e a que se reencontra após uma derrota; suicídios em pleno estádio; a graciosidade dos movimentos como só Galeano é capaz de descrever. Este é muito mais do que um livro sobre futebol: é um livro para quem gosta de ler. Especialmente se lhe pegar deixando preconceitos políticos na mesa de cabeceira.

NÃO SAIA DE CASA, LEIA O JOGO NO E-PAPER. CUIDE DE SI, CUIDE DE TODOS