"Talvez Casillas nem se lembre. Quando lançar o livro vou ver se tem o meu nome"

"Talvez Casillas nem se lembre. Quando lançar o livro vou ver se tem o meu nome"

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

Cláudia Oliveira

Foi o último jogador a marcar a Casillas.O avançado Ronan, que na última época representou primeiro o Rio Ave e a partir de janeiro o Tondela, falou O JOGO sobre o momento e o significado desse golo

Chegou a Portugal na época 2015/16, para ingressar na Sanjoanense, mas deu nas vistas e terminou a temporada ao serviço do Rio Ave, ao serviço do qual a sua história fica ligada à do guarda-redes espanhol.

Antes de chegar à Europa conhecia Iker Casillas?
-Sim, pela PlayStation! [riso] Acompanhava, porque jogou num grande clube e eu assistia aos jogos, mas não conhecia a fundo a história do Casillas e a importância que tinha no futebol. Só mesmo porque era um grande guarda-redes.

A primeira vez que defrontou Casillas foi em 2016/17, na jornada inaugural. O que se sentiu?
-Quando chegam essas grandes contratações a Portugal - por norma, sai mais gente do que entra, Portugal exporta mais jogadores -, é bom, porque assim vamos ter mais gente a olhar para o campeonato. Ter bons jogadores é bom, dá mais visibilidade e torna o campeonato mais competitivo. Lembro-me de que alguns amigos comentaram que eu ia jogar contra o Casillas e disseram-me para lhe pedir a camisola... Quando se defrontam jogadores assim, queres marcar contra eles para ter uma história para contar, para poder falar a um filho ou às pessoas da família que marcámos golo àquela pessoa que foi campeã de tudo. É uma memória boa.

O Rio Ave foi para o intervalo a perder por 2-0. Terminou empatado 2-2, com um golo do Ronan aos 90". Como foi o golo?
-Foi uma sensação mágica. O jogo começou uma sequência muito positiva da minha carreira; foi logo depois da minha cirurgia. Marcámos o 2-1 e começámos a acreditar que era possível empatar. Houve um lance em que o Rúben Semedo lançou e eu pedi falta, um jogador nosso conseguiu recuperar a bola, passou para o Gelson Dala e, no momento em que vejo o Dala dominar a bola de frente, só pensei em rematar porque estava nos últimos minutos. Nem consegui fazer o remate perfeito, estava desequilibrado e só com o pensamento: "Vou rematar, vou rematar..." Depois não me lembro de mais nada. Quando saí para comemorar, vieram todos para cima de mim abraçar-me, aquela euforia toda...

Foi o único golo a Casillas?
-Sim. Esta semana comentei com uma pessoa de Portugal, que me ligou, que por um lado é bom, mas também é estranho. Fico ligado ao momento histórico da carreira de um grande guarda-redes, mas tem um lado negativo, por ter terminado da maneira que terminou. Quem vive do futebol, sabe o quão difícil é terminar a carreira da maneira que ele terminou; ninguém quer terminar assim, é mais bonito terminar com um jogo festivo, com pessoas a aplaudir. Talvez ele até nem se lembre de quem lhe marcou o último golo. Quando ele lançar um livro, vou comprar para ver se tem o meu nome escrito!...