"Jogadores pediram ajuda ao Sindicato para problemas de dependência do jogo"

"Jogadores pediram ajuda ao Sindicato para problemas de dependência do jogo"
Cristina Aguiar

Joaquim Evangelista solicita "educação dos jogadores mais jovens" para as políticas de marketing das empresas de apostas desportivas.

Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais, apelou para uma ação mais cooperativa entre todos os operadores no que concerne ao mundo das apostas, solicitando "a educação dos jogadores mais jovens", no sentido de elevar o grau de consciência ante a problemática da dependência ao jogo.

O dirigente sindical apresentou, durante o painel "Roll the dice: integrity concerns for operators", no âmbito da Sport Integrity Week 2021, iniciativa organizada pela SIGA, uma linha de raciocínio assente nas questões sociais e pede mais responsabilidade social das empresas de apostas, cuja política de marketing "está cada vez mais agressiva, vendendo a ideia de dinheiro fácil."

"É um problema global. A covid-19 veio lembrar-nos isso, porque os clubes e os jogadores enfrentaram muitos problemas económicos e abriu caminho a investidores sem escrutínio. O foco terá de ser o equilíbrio entre a estabilidade económica e a integridade do desporto - o que não é fácil. Durante a pandemia, as empresas de apostas cresceram. O Sindicato promoveu, nessa fase, apoio psicológico aos jogadores e muitos pediram ajuda para esse problema de dependência do jogo e encontrámos muitos, inclusive, em escalões superiores com problemas mentais ", apontou, apelando às casas de apostas que "apoiem a educação" e mostrou o seu desagrado pela forma como estas constroem a publicidade.

"Não gosto quando as empresas de apostas utilizam antigos jogadores nas suas promoções sem os preparar devidamente para as questões sociais. Estamos a falar de valores e não apenas de números e de dados. Há que manter os valores no desporto", atirou, a que Gabino Oliveira, presidente da APAJO - Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online, contrapôs, garantindo que existe em Portugal normas muito restritas formuladas no Manual de boas Práticas à Publicidade, ao qual "as empresas aderiram".

Carlos Romero, analista de Dados de Integridade da La Liga, expôs o fenómeno de Match-fixing "com baixos níveis" na I Liga e "alguns casos detetados na II Liga".