Secretário de Estado do Desporto associa crispação no futebol português à Champions

Secretário de Estado do Desporto associa crispação no futebol português à Champions

João Paulo Rebelo considera que o facto de haver apenas uma vaga que garante entrada direta na Liga dos Campeões está a influenciar a "competitividade fora do terreno de jogo".

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto justificou quarta-feira o clima de crispação no futebol português com o facto de apenas uma equipa entrar diretamente na fase de grupos da Liga dos Campeões 2018/19.

João Paulo Rebelo, que falava à margem da 22ª Gala do Desporto, que decorreu no Casino Estoril, foi confrontado com as acusações por parte do FC Porto, que pediu a demissão do governante, considerando que este não tem condições para exercer a sua função.

"Sinto-me muito confortável nas funções que desempenho. Toda a gente percebeu o que estava em causa com essas declarações. Este é um ano em que há uma competitividade acrescida, uma vez que apenas uma equipa poderá entrar diretamente na Champions. Isso acrescenta alguma competitividade no terreno de jogo, mas também fora dele", afirmou.

Na altura, o diretor de comunicação e informação do FC Porto, Francisco J. Marques, apontou o dedo a João Paulo Rebelo, que acusou de "nada fazer" para impedir determinados comportamentos da claque do Benfica: "Um secretário de Estado que nada faça para impedir este tipo de comportamentos por parte dessa claque [No Name Boys] só tem um caminho: demitir-se ou ser exonerado. A ação dele tem sido nefasta ao futebol português, é cúmplice nestas coisas. João Paulo Rebelo tem o exercício dele manchado pelo sangue do adepto que morreu [na véspera do Sporting-Benfica]. Porque isso aconteceu em abril e até agora não se ouviu uma ação contra essa claque. Essa claque tem histórico de mortes. O que fez? Zero. O que é que o instituto público sob a jurisdição dele fez até agora? Zero".

Na Gala do Desporto, o secretário de Estado disse que a resolução dos recentes conflitos no futebol nacional, como o caso dos emails, "não é uma responsabilidade exclusiva do Governo" e frisou que este é um trabalho que deve ser "feito em parceria com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Liga de clubes".

"No final do ano passado, apresentámos um conjunto de medidas que serão conhecidas publicamente, algumas das quais terão seguimento na Assembleia da República, nomeadamente no que diz respeito à lei da violência no desporto. A FPF tem dado passos importantes para uma tranquilidade no setor e a Liga de clubes tem feito o mesmo. O Governo não se demarca, mas, muitas das vezes, parece que a responsabilidade é única e exclusivamente do Governo, quando não é", vincou.

João Paulo Rebelo rejeitou que "haja um clima de guerra no futebol português", embora tenha condenado os episódios de violência que vão acontecendo em redor da modalidade.