Premium "Quando dizem que sou o pai do Braga, eu digo que não. Mas, sou pelo menos o tio"

"Quando dizem que sou o pai do Braga, eu digo que não. Mas, sou pelo menos o tio"

Um cancro na próstata afastou o treinador Manuel Cajuda do banco do Académico de Viseu. Curado, depois de viver momentos difíceis, como confessa, mantém a vontade de treinar, provavelmente no estrangeiro

Tem uma forte ligação ao Braga, que treinou duas vezes e por seis épocas e meia. Como vê o crescimento que o clube teve desde então?

O futebol não são só rabiscos e táticas, há muitas coisas mais. Quando me dizem que sou o pai do Braga, eu digo que não sou, mas sou pelo menos o tio, porque ajudei-o a crescer. Quando cheguei a Braga, o clube tinha direito a meia dúzia de linhas nos jornais - nenhum clube pode ser grande com tão pouca visibilidade. Na altura afirmei: "Vou fazer um Braga grande, como um Corunha ou um Valência em Espanha, não que jogue para o título, mas que se intrometa na discussão." E hoje tenho razão. Para isso, disse uma série de patetices que garantiam espaço nos jornais. Uma vez afirmei antes de jogar contra o Sporting: "Vou ganhar a Alvalade." Era algo propositado e fazia parte de uma estratégia. Nos jornais chamaram-me arrogante... Quis o destino que ganhasse o jogo e uns dias depois já diziam que era um treinador fantástico, etc. Eu não precisava de dizer certas patetices e pôr-me a jeito de levar pancada, mas o Braga precisava que eu fizesse esse papel para crescer, precisava de um treinador que lhe desse visibilidade e essa era uma das formas. Levar porrada para mim não é um problema.