Pedro Proença: "Modelo atual está a pôr em causa o modelo associativo"

Pedro Proença: "Modelo atual está a pôr em causa o modelo associativo"
Cristina Aguiar

Presidente da Liga Portugal adiantou que pretende antecipar "a venda centralizada dos direitos audiovisuais", prevista até 2027/28

Pedro Proença, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, participou, juntamente com Javier Tebas, presidente, no painel 'presente e futuro do futebol mundial', inserido no "webinar" do 'Thinking Football Summit' que vai decorrer no Porto entre 18 e 20 de novembro, do próximo ano.

O futebol está refém do dinheiro e dos mais poderosos?
"Lamento que a Liga média portuguesa se tenha confrontado nos últimos anos com a força do dinheiro e com a incapacidade de ligas como a nossa onde o desenvolvimento do talento e da capacidade dos jogadores tem-se esbatido contra a força económica dos grandes clubes e das grandes ligas internacionais. Este é um modelo que não defendemos há muitos anos e que tem posto em causa o modelo associativo. A capacidade que temos de ter dentro de realidades económicas diferentes mas que, nós liga portuguesa, tal com a liga belga ou a holandesa, devemos poder competir com as maiores cinco ligas europeias. Esta tem sido uma luta muitíssimo intensa", afirmou o presidente da Liga Portugal.

A centralização dos poderes televisivos é o passo decisivo para o maior equilíbrio, melhor sustentabilidade dos clubes?
"É a chave do sucesso. Nos últimos 20 anos a grande medida que tivemos no futebol profissional foi o decreto-Lei que saiu em março deste ano que fez com que a venda centralizada dos direitos audiovisuais seja feita por um pivô que é a Liga Portugal. E veja-se o que aconteceu em Espanha a partir do momento em que Javier Tebas conseguiu que o decreto real espanhol centralizasse os direitos televisivos e foi a partir dessa altura que se fez um período de revolução de La Liga espanhola. Este decreto só peca por dez anos de atraso. E não é só a o tema da repartição económico-financeira, é a forma com que nós trabalhamos este produto que hoje é um produto interno, mas tem fundamentalmente direitos internacionais. A La Liga está atrás da Premier League, num trabalho que tem sido feito nos últimos anos, mas que se iniciou com a venda centralizada dos direitos audiovisuais".

O decreto é, portanto, fundamental?
"Volto a dizer: a publicação este decreto só peca por tardia. Independentemente de termos um horizonte que aponta para 2027/28 queremos antecipar, e muito, a venda centralizada dos direitos audiovisuais. Temos que nos nos adaptar à forma como o consumidor consome o futebol e se não tivermos a capacidade de reação quase imediata e se não queimarmos algumas etapas, a Liga passará do sexto lugar atual sétimo ou décimo lugar do ranking europeu daqui a um par de anos".