Paragens em excesso na Liga NOS, o campeonato das 44 faltas: eis os dados

Paragens em excesso na Liga NOS, o campeonato das 44 faltas: eis os dados
Carlos Alberto Fernandes

Estudo apresentado pela Liga Portugal revela que, em média, os jogos mais equilibrados não passam de 50% de tempo útil no último quarto de hora e ficam-se pelos 46,5% nas compensações.

A Liga NOS mantém uma distância abissal em relação às cinco principais ligas da Europa quando se avaliam as paragens de jogo e a faltas cometidas, em média, por desafio. Segundo dados apresentados na quarta-feira por Tiago Madureira, diretor executivo da Liga, por ocasião do Webinar "Thinking Football", 67% dos jogos da prova nacional registam mais de 30 faltas. enquanto na Premier League tal sucede apenas em 8% dos duelos.

Há algumas discrepâncias no apuramento do tempo útil de jogo em 2020/21 (até 22 de fevereiro), mas a liga avança com um valor atual de 55,1%, representando uma evolução positiva e constante desde os 52,77% de 2017/18. Decompondo, porém, sobressaem os baixos valores de tempo útil dos últimos 15 minutos (ver gráfico). Em partidas renhidas, os encontros estão tipicamente parados em mais de metade do tempo. Nos tempos de compensação, cumpre-se, em média, apenas 46,56% dos minutos concedidos...

Um embate da Liga NOS tem, em média, 110 paragens ("sem contabilizar substituições e intervenções do VAR", conforme esclareceu Tiago Madureira), valor que supera qualquer outra das principais ligas europeias e provas da UEFA. A Liga Europa é a que mais se aproxima (100 paragens por jogo) e a Champions é a mais distante (91).

As faltas são a principal causa de condicionamento do tempo útil e em Portugal assiste-se a uma partida com uma quantidade de infrações sem paralelo nos outros campeonatos analisados. Desde a época passada até metade da corrente, verificou-se a ocorrência de mais de 44 faltas em 17 jogos. No mesmo período, nunca tal sucedeu em Inglaterra, França e Alemanha. Em Espanha e Itália aconteceu em apenas um encontro. Aliás, nenhuma outra competição averba 40% de jogos com mais de 30 faltas. A média em Portugal é de 32,6 faltas por jogo e aumentou, inclusive, em relação a 2019/20 (32,4).

Com a pior marca da Europa, o embate entre Tondela e Marítimo, na pretérita temporada, registou 50 faltas, mas o Farense-P. Ferreira, desta época, ficou perto, com 49. De resto, os oito jogos europeus com mais infrações são todos da Liga NOS, três dos quais com presença pacense.

Este estudo procurou também perceber o impacto da arbitragem na marcação de faltas e as diferenças de ação técnica dos árbitros nos embates domésticos face aos internacionais. Fábio Veríssimo destaca-se claramente ao ser o juiz que mais vezes assinala infração (31,3 faltas/jogo em Portugal e 32,5 na provas da UEFA), enquanto Artur Soares Dias sanciona bem menos (22%) nos jogos internacionais. Mas, de acordo com este estudo, os árbitros portugueses são os que reduzem mais o número de faltas assinaladas em contexto internacional.

O impacto noutros indicadores do menor tempo de jogo é verificável sobretudo no inferior número de passes (624 por jogo), ficando abaixo de todas as outras provas. Na Champions efetuam-se 839 passes /jogo. Por fim, a repartir a cauda da tabela com La Liga, a prova lusa registam uma média de 2,5 golos por desafio. Na Bundesliga, a média é de 3,1,/jogo.

"Sejamos honestos, é impossível estarmos sempre a falar em internacionalização e depois ligarmos a televisão e vermos, como foi falado aqui, uma liga com 110 paragens médias de jogo. Quando jogo tem 90 minutos, temos 110 paragens que não incluem substituições, paragens de VAR e as outras de jogadores assistidos", referiu o dirigente durante o debate digital, que envolveu ainda (ver página ao lado) quatro personalidades do futebol luso: o antigo árbitro Duarte Gomes, os treinadores marco Silva e Costinha, e o futebolista Daniel Podence, dos ingleses do Wolverhampton. "Este estudo não queria, de todo, criticar os árbitros, eles também se adaptam. A culpa é repartida. Temos de mudar esta cultura. Tenho de dar o exemplo da Premier League: em Inglaterra joga-se sempre com a mesma bola, isto é demonstrativo da capacidade cultural que têm sobre este tema", concluiu Madureira.