"Num futebol perfeito não nos preocupamos se os árbitros viajam com as equipas"

"Num futebol perfeito não nos preocupamos se os árbitros viajam com as equipas"
Melo Rosa

Luciano Gonçalves foi reeleito para mais um mandato na APAF e abordou as condições da arbitragem na retoma da I Liga.

Reeleito para mais um mandato de quatro anos como presidente da Direção da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), Luciano Gonçalves comentou, este sábado, em declarações, à Sport TV, o facto de os árbitros viajarem no mesmo avião das equipas adversárias do Marítimo.

"Tenho procurado não alimentar polémicas. Devemos olhar para este possível problema - se é que entendem que é um problema - da seguinte forma: num mundo perfeito, com um futebol perfeito, de pessoas responsáveis, não temos de estar minimamente preocupados se viajamos no mesmo avião das equipas. Infelizmente, já existiram episódios em que isso aconteceu e que as coisas não correram bem. Temos, no entanto, que perceber que esta é uma situação atípica, em que todos temos de fazer esforços para perceber que não existe outra alternativa que seja minimamente viável e temos que perceber que os casos que se vão criando é arriscado. Esperamos, sinceramente, que episódios do passado não voltem a repetir-se. Se nós fazemos um esforço, também tenho a certeza que do outro lado também vão estar pessoas responsáveis e que vão entender que vão ali apenas colegas que fazem parte da mesma fita", afirmou, recordando que, por exemplo no Campeonato de Portugal "já se verifica esta situação".

"Agora que não temos um futebol preparado e estruturado para isso, não, mas creio que vamos ter pessoas responsáveis e não vão de forma nenhuma incomodar as equipas de arbitragem depois do seu desempenho nos jogos", rematou Luciano Gonçalves.

Luciano Gonçalves era candidato único à presidência da APAF e obteve "um resultado histórico". Nesta entrevista à Sport TV, o presidente da APAF mostrou satisfação e também assumiu sentido de responsabilidade.
"Esta votação foi de excelência, mas também nos traz maior responsabilidade. Ficámos satisfeitos por ter sido uma votação que superou as nossas expectativas e dobrou os números das melhores votações que já tínhamos tido. É uma responsabilidade acrescida que os sócios nos transmitiram com esta votação",afirmou.

O dirigente que foi reconduzido como líder da associação que representa os árbitros apontou ainda os principais pontos do mandato de quatro anos: "Esta equipa que escolhi para me acompanhar nos próximos quatro anos tem ainda muito para dar à APAF e à arbitragem e por isso decidimos que iríamos cumprir um mandato, trabalhando em prol desta missão, sabendo que por veces é um trabalho inglório. Os quatro pilares do nosso mandato são, em primeiro lugar, o reconhecimento da carreira; o segundo é a formação, criando uma academia; o terceiro é a responsabilidade social, pois sabemos que temos de nos aproximar mais da sociedade, e por último, temos de trabalhar mais a comunicação".