Manuel Fernandes e Abel Xavier desejam regresso do Estrela, um "clube do povo"

Manuel Fernandes e Abel Xavier desejam regresso do Estrela, um "clube do povo"

Trinta anos depois do primeiro jogo europeu do Estrela da Amadora, os antigos internacionais torcem por um futuro risonho

O treinador Manuel Fernandes e o antigo defesa Abel Xavier, que passaram pelo Estrela da Amadora nos anos 1990, desejam que o "velho" Estrela possa regressar, pela sua qualidade de "clube do povo".

"Desejo-lhes o melhor possível. Fui um dos jogadores de uma geração que deu mais-valias, fruto de uma formação muito bem conseguida. Olhando para uma estrutura, não deve ser só [a pensar na] equipa principal, deve ser [a pensar na] sustentabilidade", atira Abel Xavier, quando se assinalam 30 anos da presença do clube na Taça das Taças.

Por outro lado, um emblema criado após a extinção do clube "original" fundou-se este ano com o Club Sintra Football para criar o Club Football Estrela, que vai disputar o Campeonato de Portugal, assinalando o regresso aos escalões nacionais do emblema do distrito de Lisboa.

"Foi um clube que gostei de treinar, um clube simpático e com gente mesmo da Amadora, que gosta mesmo do clube. O que desejo é que depressa regressem ao convívio dos grandes, na I Divisão Nacional. Há clubes que fazem falta", exclama Manuel Fernandes, que orientou os tricolores nessa época de 1990/91, em que foram até à segunda eliminatória da Taça das Taças, mas também despromovidos à II Liga.

Antigo internacional português, Manuel Fernandes lembra a massa adepta ferrenha e a característica de "clube do povo" que a formação da Amadora sempre teve, com Abel Xavier a lembrar que este emblema representava as classes mais baixas e sub-representadas, além dos bairros, e tinha "muitos simpatizantes".

Agora, vê no atual "porta-bandeira" um projeto "muito corajoso", pedindo-lhe atenção à formação e à ligação à comunidade, porque o Estrela "é necessário à zona de mercado, pela natureza dos bairros" e pelo espaço "que o Estrela perdeu e tem de voltar a ganhar, voltar competitivo e forte, e acrescentar valor, acima de tudo, às pessoas da Amadora".

O antigo internacional português, hoje treinador, começou a carreira profissional no Estrela da Amadora, com 92 jogos e cinco golos pelo "tricolor" entre 1989 e 1993, antes de se mudar para o Benfica.

Com 16 aparições na I Liga e vencedor da Taça de Portugal em 1990, o CF Estrela da Amadora abandonou a elite em 2008/09, arrastado por uma maré de dívidas, e foi declarado insolvente em 2010, um ano antes de ser refundado por seis sócios, como Clube Desportivo Estrela, no intuito de herdar o legado do histórico emblema da Reboleira.

Os tricolores apostaram nas camadas jovens até 2017/18 e ressurgiram no patamar sénior daí em diante, evoluindo nas divisões da Associação de Futebol de Lisboa até negociar a fusão com o Club Sintra Football em julho, permitindo a estreia do novato Club Football Estrela da Amadora SAD na próxima edição do Campeonato de Portugal.