Acusações do FC Porto "deixam o público anónimo com dúvidas"

Acusações do FC Porto "deixam o público anónimo com dúvidas"

Jorge Coroado, antigo árbitro e membro do Tribunal d' O JOGO, comenta a acusação do FC Porto, que fala em "esquema de corrupção de árbitros" por parte do Benfica. Considera que Federação, Conselho de Arbitragem, APAF e Ministério Público já deveriam ter reagido

O FC Porto vai entregar ao Ministério Público uma alegada troca de e-mails que, segundo o seu diretor de informação e comunicação, espelha um "esquema de corrupção de árbitros para favorecer o Benfica". Francisco J. Marques usou o espaço no programa "Universo Porto da Bancada", do Porto Canal, para revelar o teor de umas supostas mensagens entre um ex-árbitro da AF Braga, Adão Mendes, e o diretor de conteúdos da Benfica TV, Pedro Guerra, durante a temporada de 2013/14, na qual o primeiro explicaria o funcionamento deste esquema, que envolveria também Luís Filipe Vieira que, segundo o dirigente portista, é denominado nesta história como "primeiro-ministro", aparecendo os árbitros designados como "padres".

Jorge Coroado, comentador de arbitragem e membro do Tribunal d' OJOGO, considera que as instituições competentes já deviam ter reagido ao caso. "As divulgações efetuadas no Porto Canal pelo responsável de Comunicação do FC Porto naturalmente que implicam estupefação e deixam o público anónimo com dúvidas. De tão objetivas e precisas que foram, num Estado de Direito e numa situação de rigor as instituições, Federação, Conselho de Arbitragem, APAF e até o próprio Ministério Público, se bem que este órgão tenha outros afazeres mais importantes e rigorosos para intervir, deviam tomar providências para clarificar", defendeu Coroado a O JOGO online.

"Os próprios visados deveriam sempre, e em qualquer circunstância, apresentar a sua defesa. Contudo, e neste particular, como já vai sendo prática, para alguns exigem-se que façam um desmentido ou que tenham uma posição institucional e politicamente correta, com outros o melhor é guardar silêncio para não agitar as águas e criar marés vivas", acrescentou.