João Pinheiro: "As mulheres são mais honestas, os homens dão três ou quatro cambalhotas"

João Pinheiro: "As mulheres são mais honestas, os homens dão três ou quatro cambalhotas"

João Pinheiro considerou ainda que as mulheres terão um papel cada vez mais ativo na arbitragem

João Pinheiro considerou negativa a ausência de árbitros portugueses no Campeonato do Mundo'2022, no Catar, e lamentou o "clima de guerra" que diz existir no futebol em Portugal.

"Não é positivo não ter árbitros portugueses no Mundial, não há que esconder. Gostaríamos de lá estar e trabalhamos para isso, mas não é fácil. A FIFA reserva 10 vagas, 11 este ano para a [árbitra francesa] Stéphanie Frappart, para os países europeus e Portugal compete com os melhores. O Artur Soares Dias, que era quem podia ir, estava a competir por uma dessas 10 vagas e os árbitros dos outros países também são bons", disse, em entrevista à Rádio Universitária do Minho (RUM), no programa "Rum(o) Desportivo".

O melhor árbitro português das duas últimas temporadas, que diz ter a ambição de apitar jogos da Liga dos Campeões, uma final da Taça de Portugal e estar em campeonatos da Europa e do Mundo, recusa, contudo, "arranjar desculpas".

"Temos que olhar para nós e perceber o que podemos fazer melhor e não arranjar desculpas. Foram dois ingleses, o que foi algo que nunca aconteceu, irem dois árbitros do mesmo país (...) provavelmente essa vaga seria para o Artur [Soares Dias]. Temos que respeitar e perceber que não estamos sozinhos, a seleção nacional também esteve quase a não conseguir ir ao Mundial, teve que ir a um "play-off", são questões de pormenor que podem decidir ir ou não", disse.

O árbitro natural de Barcelos considera que o clima de suspeição e guerrilha existentes no futebol português "não ajuda a que haja um clima de paz e tranquilidade".

"Trabalhar sob constantes críticas não é saudável para ninguém, para os jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes. Devemos evitar este clima de guerra existente no futebol português porque não é benéfico para ninguém", frisou à rádio sedeada em Braga.

João Pinheiro considerou ainda que as mulheres terão um papel cada vez mais ativo na arbitragem: "Elas têm condições fantásticas, conheço algumas, a mais famosa é a francesa Stéphanie Frappart, que tem uma condição física incrível, trabalha imenso, treina mais que eu, faz treinos bidiários, para se ver a qualidade de trabalho da senhora, e o futuro vai ser dela".

Para João Pinheiro, "a grande dificuldade que elas têm é competir com os homens no que concerne aos nossos tempos nas provas físicas, mas com trabalho e dedicação [podem conseguir]".

A cursar o mestrado de Direito do Desporto na Universidade do Minho, João Pinheiro deixou ainda um elogio às jogadoras, considerando-as "mais honestas" do que os homens.

"Fiz alguns jogos e elas têm uma coisa extraordinária: são muito mais honestas, só se sofrerem uma entrada castigadora ou que ponha em perigo a sua integridade física é que elas ficam no chão, já os homens dão três ou quatro cambalhotas. São muito naturais e tornam o jogo mais fácil de apitar e mais correto", concluiu.