"Não olharam para mim como um ser humano, mas como um saco de cebolas"

"Não olharam para mim como um ser humano, mas como um saco de cebolas"
Cláudia Oliveira

Ansumane Faty ainda não falou em tribunal no âmbito do processo Jogo Duplo, mas quer fazê-lo e explicar como foi prejudicado por terceiros.

"É tudo um mal-entendido", começa por dizer a O JOGO Ansumane Faty, atualmente a jogar no Oliveira do Douro. O atleta não vê razão para ser arguido no caso que envolve o Ribeirão, por ter vindo para Portugal para prestar provas em Alcochete, em 2009. "Não fiquei no Sporting e fui jogar meia época no Candal. Daí passei para o Nogueirense e só então cheguei ao Ribeirão, em 2011/12, onde ganhava 400 euros por mês."

"Vivi sempre no Porto e, com as viagens, era muito gasto. Depois fizeram-me um contrato profissional e passei a ganhar 800 euros, porque o Braga estava interessado em mim. Acabei por assinar. Mas o Ribeirão pedia mais de cem mil euros pela transferência e o Braga não aceitou", conta Ansumane, revelando que tratava de tudo com o presidente do clube, Adriano Pereira, e um diretor técnico. "Fizeram-me o contrato mas não o registaram e, como o Braga não aceitou o valor, meteram-no na gaveta", acusa.

Chegou para jogar no Sporting e hoje está na Divisão de Elite da AF Porto. "Nunca cheguei a clubes maiores porque as pessoas do futebol não quiseram. Não olharam para mim como um ser humano, mas como um saco de cebolas que podia dar dinheiro", lamenta.

Entre as alegações em tribunal está um suposto contrato de aprendiz de carpinteiro, função que o jogador diz nunca ter exercido e que não faz sentido, uma vez que já estava legal em Portugal antes de se relacionar com o Ribeirão.

O atleta da Guiné-Bissau não falou ainda em tribunal, mas garante que o vai fazer. "Sim, vou prestar declarações porque já conheço o teor da acusação. No caso do Jogo Duplo, também. Aliás, estou com pressa em dar declarações. Não tenho nada a temer. Para não prejudicar outros, acabei por me prejudicar", resume.