Maria José Morgado "impressionada" com o "caso Rui Pinto"

Maria José Morgado "impressionada" com o "caso Rui Pinto"

Procuradora-geral adjunta diz que "há histórias de hackers que se transformam em hackers bons e colaboram com a justiça"

Maria José Morgado, procuradora-geral adjunta, admitiu, no programa "Grande Entrevista", da RTP, que ficou impressionada com o "caso Rui Pinto", o hacker que denunciou alegados esquemas de evasão fiscal no futebol cometidos em vários países, conhecido como Football Leaks. "Não posso falar do caso concreto, só em tese geral. Mas devo dizer que este caso impressiona-me muito pessoalmente, porque ouvi a pessoa de que estamos a falar a dizer frases sobre a corrupção no futebol semelhantes às que eu disse numa entrevista em 2002, ao Adelino Gomes, e que está publicada na [revista] Pública", disse a procuradora que está colocada no Supremo Tribunal de Justiça, defendendo que "em todo o mundo há histórias de hackers que se transformam em hackers bons e colaboram com a justiça. O hacker mau pode transformar-se num hacker bom e trabalhar para a polícia. Tem um 'know-how' que muitas vezes a polícia não consegue ter por si só", considerou.

Maria José Morgado recordou a entrevista que concedeu em 2002 para reforçar a admiração pelo que ouviu Rui Pinto afirmar. "Em 2002 disse ao Adelino Gomes que o futebol era um mundo de branqueamento de dinheiros sujos, com promiscuidades políticas indesejáveis, alargadas e muito difíceis de combater. Fez-me impressão, porque passaram 17 anos e aparece uma pessoa a dizer aquilo que eu tinha dito. Porque agora são todos paladinos contra a corrupção no futebol, contra as offshores. Toda a gente fala disso, já não vale a pena falar. Mas naquele tempo tive problemas sérios por ter falado disso", defendeu a procuradora-geral adjunta na entrevista à RTP.