Imbróglio no futebol feminino: Ovarense não desiste do título

Imbróglio no futebol feminino: Ovarense não desiste do título
Cláudia Oliveira

CJ retirou-lhe o título de campeão para o atribuir ao Marítimo, mas vem aí recurso para o TAD.

O título foi atribuído à equipa de Ovar, que venceu o prolongamento (1-0) da segunda mão, mas na semana passada o Conselho de Justiça da FPF deu razão à reclamação do Marítimo e atribuiu-lhe o título de campeão.

"Vamos recorrer da decisão para o Tribunal Arbitral do Desporto", anunciou Paulo Campino, presidente da Ovarense. "A Federação devia dar o título de campeão aos dois ou repetir o jogo de Ovar, com as regras definidas desde o início", atira o dirigente que, com a subida garantida, não abre mão do título, ciente de que isso lhe dará vantagens na angariação de apoios.

O comunicado 44 da Federação, de 16 de agosto de 2017, explica que na parte final da prova "as equipas vencedoras de cada uma das duas séries da 2.ª fase jogarão entre si duas vezes e por pontos, uma na qualidade de visitada e outra na qualidade de visitante, para apuramento de Campeão. Em caso de empate no apuramento do vencedor destes jogos da Final serão aplicados os critérios dispostos no artigo 12.º do Regulamento da Prova".

Em casa, o Marítimo venceu a Ovarense por 6-3, na visita ao continente, perdeu por 2-1 no período dos 90 minutos. Apesar de o Marítimo ter um saldo positivo de dois golos sobre a Ovarense, o ponto 6 do referido artigo 12.º explica que "nas finais jogadas a "duas mãos", se no final do tempo regulamentar do segundo jogo o resultado estiver empatado no conjunto das "duas mãos" é realizado um prolongamento de 30 minutos, dividido em duas partes de 15 minutos, em intervalo, mas com mudança de campo". E esta informação foi confirmada por email, pelos serviços da Federação, à árbitra Diana Henriques, no próprio dia do jogo, em resposta a uma dúvida colocada por ela. "Deverá ir a prolongamento se no final do tempo regulamentar se verificar uma vitória do Ovarense, independentemente dos golos marcados por cada uma das equipas. Basta o Ovarense ganhar para ir a prolongamento", lê-se no email que serve de argumento à equipa de Ovar para tentar reverter a decisão. A AF de Aveiro vai apoiar o filiado, caso se confirme o recurso.

O Conselho de Justiça já rebateu tudo isto - email da FPF com as instruções à equipa de arbitragem - e exarou um acórdão a esclarecer que "de acordo com as Leis do Jogo emanadas pelo IFAB o desempate nas partidas a realizar em mãos nunca depende da igualdade pontual, mas antes da igualdade de golos marcados no conjunto", apontando uma interpretação errada do termo "empatado", uma vez que o Marítimo tinha marcado mais golos.