Clubes ameaçam parar futebol em Portugal

Clubes ameaçam parar futebol em Portugal
Mónica Santos

Carlos Pereira, presidente do Marítimo, falou em nome dos clubes e sociedades desportivas que estiveram reunidos na Cimeira dos Presidentes, em Coimbra.

No final da Cimeira dos Presidentes, que decorreu esta quarta-feira no Convento São Francisco, em Coimbra, Carlos Pereira, presidente do Marítimo, anunciou a pretensão dos clubes em parar os campeonatos profissionais e os da formação.

"Desta Cimeira sai muita coisa boa, sai fortalecida a Liga e saem fortalecidos os clubes e aquilo que pensamos que foi importante discutir, como é o caso da violência, das apostas, os seguros e o modelo de governação da Liga que pretendemos. Pensamos todos que o futebol português tem que ser ouvido e tem que ser ouvido de uma forma séria e célere. Se estas nossas pretensões não forem ouvidas, podemos correr o risco e pensar seriamente em parar os campeonatos. E parar os campeonatos profissionais ou os campeonatos de formação porque os clubes e as SAD não são só futebol profissional e porque não nos revemos na forma como o futebol português anda a ser tratado", afirmou.

"Se a curto prazo isto não for uma preocupação governamental será uma preocupação dos clubes que transmitirão à opinião pública aquilo que são as nossas reivindicações e que não têm sido aceites [pelo Governo]", acrescentou o presidente do Marítimo, adiantando quais são as reivindicações. "As reivindicações são a violência naquela que é a proposta que hoje está na Assembleia da República, são as taxas dos seguros, as apostas, é também aquilo que pensamos sobre a governação e também o que pensamos sobre o tempo de ligação que à vezes levamos no retorno dessas mesmas propostas. Temos que pensar seriamente que não podemos andar aqui a pensar que o amanhã é muito longo. Queremos, por isso, que as propostas sejam ouvidas e satisfeitas em prol do que pagamos ao longo do ano e que são muitos e muitos milhões e são muitos apostas de trabalhos que os clubes têm e que têm responsabilidades para com essas famílias, com essas pessoas e com os contratos que temos. Somos cumpridores e somos provavelmente a industria do país mais fiscalizada e que com certeza mais paga para o orçamento de estado. E por isso queremos que este retorno seja reconhecido".

Carlos Pereira deixou uma garantiu dirigida ao secretário de Estado da Juventude e do Desporto: "Queremos fazer sentir que as reuniões que temos tido não têm sido conclusivas e queremos que sejam o mais rapidamente possível. A violência é um prejuízo que causa ao futebol e ao país e que nós temos dado muitos contributos, mas na prática não tem sido resolvida. O Estado tem demorado muito a resolver os problemas e queremos que não se agravem porque pagamos muito para isso".