FPF preveniu Liga antes do início do campeonato para evitar casos como o do Jamor

FPF preveniu Liga antes do início do campeonato para evitar casos como o do Jamor
António Barroso

Fernando Gomes sugeriu a Pedro Proença alterações aos regulamentos no início da época.

Em pleno contexto de adiamentos e não adiamentos de jogos na Liga Bwin (Tondela-Moreirense e Vizela-Belenenses não se vão disputar na data inicialmente prevista), O JOGO teve conhecimento de uma troca de correspondência, datada de agosto, em que Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, sugeriu ao seu homólogo na Liga, Pedro Proença, uma alteração regulamentar que pudesses evitar casos como o do Jamor, em que a integridade das competições e a verdade desportiva foram maltratadas, por o organismo não ter poder para decidir um adiamento.

A 13 de agosto, vésperas da participação do Santa Clara na fase preliminar da Conference League, o líder federativo endereçou uma missiva à Liga preocupado com o facto de o Moreirense ter recusado um acordo que possibilitasse o adiamento do encontro com os açorianos. Gomes aludiu ao "interesse nacional", tendo em conta a representatividade de Portugal nas eurotaças e implicações no ranking da UEFA. Nessa carta, Fernando Gomes solicitou a Proença que desenvolvesse esforços para que o jogo se desenrolasse noutra altura e sugeriu que a regulamentação das competições profissionais pudesse "contemplar, no mais breve espaço de tempo", mecanismos eficazes para que a Liga pudesse agir em situações análogas às da atualidade, com "voz decisiva e definitiva". A FPF entendia, pois, que a Direção do organismo devia ter mais poder.

Na resposta, Proença invocou a estabilidade das competições e a incapacidade de ação face aos regulamentos. O quadro regulatório não permitia, então como agora, intervenção da Direção da Liga. Conclusão, já no caso do Moreirense-Santa Clara, não pôde fazer nada, "sob pena de violação do princípio da igualdade" e por ter de "pautar a conduta pelo interesse" dos associados.

Bem antes ainda, em novembro de 2020, aquando da polémica relativa ao Paços de Ferreira-Moreirense (os cónegos tiveram 25 pessoas infetadas), resultou a criação de uma unidade jurídica constituída por José Manuel Meirim (FPF) e Paulo Mariz Rozeira (Liga). Do trabalho conjunto, foi apresentada proposta para alterações regulamentares, entre elas uma que apontava para um número mínimo de 13 jogadores para realização de um jogo nestas condições excecionais. A promessa de levar a proposta à AG da Liga ficou pelo caminho, pois não colheu aceitação dos clubes.

Um caso que aconteceu há praticamente quatro meses. Há um par de dias, a Liga anunciou que irá propor alterações ao Regulamento de Competições na próxima assembleia geral (ainda sem data), "de forma a reforçar os mecanismos à disposição para atuar em matéria de adiamento de jogos".