Eleições no V. Setúbal com futuro em jogo: conheça os três candidatos

Eleições no V. Setúbal com futuro em jogo: conheça os três candidatos
Miguel Nunes Azevedo

Depois de elegerem Paulo Gomes em janeiro deste ano, os sócios do V. Setúbal voltam, no domingo, a ter o poder de decidir quem será o novo presidente do clube.

A atual Direção apresentou a renúncia ao cargo no passado mês de setembro e abriu a porta a eleições antecipadas, para as quais concorrem Vítor Hugo Valente, Paulo Rodrigues e Nuno Soares. Com o clube a atravessar um momento complicado a todos os níveis após a queda para o Campeonato de Portugal, os associados esperam conseguir a mudança de rumo desejada.

Lista A: Vítor Hugo Valente defende a entrada de um investidor

Depois de ter deixado a presidência em janeiro, Vítor Hugo Valente volta à corrida eleitoral naquela que define como "a pior altura da vida" dos sadinos. O advogado assegura que manter a SAD é imperativo e defende que o regresso à I Liga "é agora ou nunca", devido à chegada da III Liga no futuro. "A ideia de que se pode prescindir da SAD e ficar com o clube é totalmente errada e é de quem não sabe as consequências. Extinguir a SAD é extinguir o clube. A solução passa por um investidor que adquira uma parte. Não há outra solução. Ninguém ajuda o Vitória a ultrapassar esta crise sem ter uma participação", disse Vítor Hugo Valente, esclarecendo que o clube estará sempre representado na administração.

Recordando a época anterior, o antigo presidente admitiu ter sofrido com a despromoção e garante que teria evitado a queda ao CdP. "Deixámos o clube com estabilidade salarial. Em janeiro, com a equipa estabilizada e os salários pagos antes de tempo, alguém faz um golpe de Estado. Se eu estivesse lá, a descida não aconteceria", afirmou.

Quanto ao "feedback", Vítor Hugo Valente afirma que o projeto que apresentou nas últimas eleições é hoje reconhecido: "Os sócios sabem que contam com capacidade e experiência. Querem que lhes digam que a SAD não vai acabar e que vamos continuar a ter futebol profissional. Estou confiante. Em janeiro apresentámos a possibilidade de o Vitória mudar o rumo. Se tivesse acontecido, hoje estaríamos em posição muito diferente. Os sócios percebem isso e reconhecem que é esse o caminho."

Lista B: Paulo Rodrigues quer dotar o clube de melhores infraestruturas

Confiante que é "o único sócio preparado para liderar no momento mais difícil" do V. Setúbal, Paulo Rodrigues garante ter os apoios necessários para que os sadinos possam ultrapassar o desafio e aposta num regresso à I Liga em dois anos.

"Planificámos o nosso projeto com um investidor para o clube, para a SAD e para as academias. Vamos precisar de uma injeção de capital para pagar a funcionários e jogadores, pois só assim eles poderão trabalhar com profissionalismo e exigência. A liderança era amadora, sem motivação, e nós queremos mudar isso", afirmou o empresário de jogadores, que quer dotar o clube de novas infraestruturas nos próximos anos: "O Vitória não tem campo para as crianças, a academia desapareceu e o estádio está quase abandonado. Quero fazer duas academias neste mandato. Vamos apostar numa academia/centro de treinos profissional na Várzea para os seniores e vamos fazer a Academia Félix Mourinho para a formação. Sem isto, nunca conseguiremos vender jogadores e o Vitória terá muitas dificuldades em sair do buraco."

Sublinhando que tem "feito tudo para que o Vitória não tenha acabado em anos anteriores", Paulo Rodrigues admite que tem ficado "surpreendido" com o apoio recebido nas últimas semanas. "Os sócios sabem que cometi um erro grave, quando a Direção me fez cometer esse erro e o usou para colocar a cidade e os sócios contra mim. Fico feliz porque vejo que 50% desses sócios começaram a ver a verdade. Hoje pensaria duas vezes. Já pedi desculpa aos sócios e volto a pedir", disse.

Lista C: afirma que a alma vitoriana é a garantia de um futuro no Bonfim

Nuno Soares apresenta-se como uma alternativa para todos os sócios que não se reveem nos seus adversários. O empresário revela que apoiou projetos que acabaram por desistir da corrida e decidiu criar a sua própria lista, correndo contra o tempo.

"Tentei consenso e soluções com pessoas que estiveram na última contenda e trabalhei em apoios e soluções, mas essas pessoas decidiram não avançar. Foi fácil reunir uma equipa e dar aos sócios uma alternativa entre um projeto que foi chumbado meses atrás e um projeto incipiente na base em relação ao Vitória. Os sócios preferem pragmatismo e não ilusões ou dúvidas", afirma o empresário.

Perante o momento atual, Nuno Soares esclarece que o seu plano passa pela salvação da SAD, mas garante que os sócios terão a última palavra. "A FIFA não faz distinção, logo há duas hipóteses: tentar salvar a SAD ou começar do zero. Enquanto houver uma réstia de esperança, lutarei. Vai ser preciso arranjar parcerias, mas o modelo dependerá sempre da validação dos sócios", afirmou, não esquecendo os processos em curso: "Deixou-se cair um histórico e ninguém decide se é justo ou injusto. O Vitória não pode morrer, é demasiado grande. Por via desportiva ou judicial, em 2022 estaremos na I Liga."

Antigo árbitro e olheiro de empresários, afirma que não faz "promessas para ganhar" mas sim para cumprir. "Para o Vitória ter futuro, terá de ser realista, dar um passo atrás e reorganizar-se. Terá de ser honesto com os sócios e mostrar a realidade. Com a alma vitoriana, não tenho dúvida de que haverá futuro", rematou.