Aníbal Pinto: "É uma vergonha a Polícia Judiciária patrocinar emboscadas"

Aníbal Pinto: "É uma vergonha a Polícia Judiciária patrocinar emboscadas"

Advogado queixa-se da atuação policial num encontro mantido numa área de serviço.

O advogado Aníbal Pinto criticou esta sexta-feira a atuação da Polícia Judiciária num encontro que, em outubro de 2015, numa área de serviço da autoestrada A5, em Oeiras, manteve com dois representantes da Doyen, empresa que, alegadamente, terá visto devassado o seu sistema informático por Rui Pinto.

"O Ministério Público tem que entender, e este tribunal também, que, se a Polícia Judiciária fez batota, tem que ser punida criminal e disciplinarmente. E toda a prova produzida com batota, perante o Código de Processo Penal, é proibida. E, portanto, tem que ser tudo esclarecido. Convém dizer que na contestação foi dito à cabeça, antes de se adivinhar o que se poderia suceder, que aquele RDE (Relato de Diligência Interno), aquele encontro, foi uma emboscada e um embuste. É uma vergonha a Polícia Judiciária patrocinar emboscadas", afirmou Aníbal Pinto à saída do Tribunal Central Criminal de Lisboa, no Campus de Justiça.

O advogado, que é arguido neste processo, considera que a o citado encontro terá sido gravado pela PJ: "Ainda vamos apurar que aquele RDE e aquele encontro foi gravado. Já há provas e indícios suficientes de que foi gravado. E quem o gravou, já desafiei para tornar pública a gravação, para se apurar a verdade. Agora, se gravam, fazem-se RDE falsos e depois se acusam as pessoas, e vêm inspetores da Polícia Judiciária mentir em tribunal, estou escandalizado."

Aníbal Pinto acusou ainda um inspetor da PJ de ter ligações estranhas à Doyen, empresa que acusa Rui Pinto de ter devassado o seu sistema informático e de, posteriormente, ter feito uma tentativa de extorsão. "Neste tribunal foram juntos, pelo Ministério Público, documentos que comprovam uma relação do inspetor chefe Rogério Bravo com pessoas da Doyen, que ainda não foram explicados. De intenções eu não posso falar, mas de factos posso. O MP juntou neste processo e-mails que dizem que não podem ser utilizados, mas que existem, e que dizem que o senhor inspetor Rogério Bravo falava com pessoas que depois foram testemunhas. Falava com a Doyen, dizia que ia falar com alguém muito próximo da Procuradora Geral da República para alterar o segredo de justiça, o que é vergonhoso. Isto foi junto pelo MP, que juntou documentos para acusar os arguidos e depois o MP diz que é a brincar, que aqueles documentos não podem ser usados como prova para o inspetor Rogério Bravo. A intenção eu não sei, mas à mulher de César não chega ser séria, é preciso parecer. Portanto, que havia resultados naqueles e-mails de relações absolutamente estranhas entre o inspetor Rogério Bravo e a Doyen, ou pessoas ligadas à Doyen, e pessoas que depois aqui vieram testemunhar, isso é factual e mim também me escandaliza", comentou, quando questionado quanto a eventuais intenções de eventuais mentiras em tribunal (conforma Aníbal Pinto acusa) de outros inspetores da PJ.