Sensação no Campeonato de Portugal em época de estreia e inspirado por Mourinho

Sensação no Campeonato de Portugal em época de estreia e inspirado por Mourinho

O técnico inspira-se no sucesso do "Special One", mas tem mais referências. Começou nos sub-17 da Académica e deposita créditos no sucesso da nova aventura para trabalhar em patamares superiores.

Em época de estreia a orientar uma formação sénior, Tozé Marreco, de 33 anos, habilitado com o II nível do curso UEFA Pro, almeja a permanência dos oliveirenses na competição, pelo que o atual terceiro lugar série E, a cinco pontos do primeiro lugar, causa sensação.

Quando surgiu a vontade de ser treinador?
-Sempre pensei em acabar a carreira de jogador e começar a de treinador cedo. Enquanto joguei, fiz os primeiros níveis do curso e era muito atento ao porquê de se fazer determinado exercício ou usar certa estratégia. Fascina-me conseguir anular o adversário, fazer sobressair os pontos fortes. Montar uma estratégia para enfrentar um rival é muito interessante.

Mas ainda tem saudades de jogar e marcar golos?
-Não sinto muita falta de jogar, mas sim de fazer golos e festejá-los com os adeptos [risos]. Disso tenho mesmo muitas saudades.

Treinou equipas de juniores e agora de seniores. É isto que deseja?
-A aprendizagem na Académica foi incrível e deu-me um gozo imenso trabalhar com malta mais nova, mas a minha ambição sempre foi treinar no futebol sénior.

Quais as suas referências como treinador?
-O meu ídolo era o José Mourinho. Recentemente, apreciei a forma de jogar do Flamengo de Jorge Jesus. Gosto das ideias e da capacidade de adaptação do Luís Castro, do Carlos Carvalhal; é impressionante o que o Sérgio Conceição tem feito no FC Porto. Além destes, também o Vítor Oliveira, claro.

Que tipo de carreira projeta, futuramente?
-Tenho a mesma ambição enquanto jogador, que é ser profissional. Confio que será melhor do que a de jogador, que foi interessante. Espero fazer melhor agora. Durante o verão, planeio completar, no estrangeiro, o terceiro nível do curso de treinador.

Sente que há um maior respeito dos jogadores face ao seu passado como jogador?
-Nunca pensei muito nisso, sinceramente. Raramente falo sobre o que fiz enquanto joguei. Talvez o tenha feito uma ou duas vezes. Mas acredito que os avançados tenham uma atenção redobrada nos exercícios ofensivos. Há respeito e uma ligação forte e estreita com todos os atletas do grupo, o que é essencial.

O que pretende da equipa do Oliveira do Hospital em campo?
-Tive de perceber e adaptar-me à realidade competitiva em que me inseri, de forma a somar pontos. A ideia de jogo que tinha nos sub-17 da Académica não é exequível neste campeonato. Sou um treinador que prefere vitórias por 1-0 ou 2-0, não sofrer golos, e que a equipa procure a baliza de forma agressiva, sendo organizada defensivamente. Faço muito trabalho sectorial.

Qual o impacto da pandemia de covid-19 no vosso trabalho semanal?
-Há muita indefinição, pois o vírus pode atingir qualquer um e há uma luta constante. Pedimos aos jogadores que tenham responsabilidade, cuidados e para cumprirem as regras estipuladas. Sinto que há muito cuidado no clube e na maioria dos clubes do campeonato, que deveria ser equiparado às provas profissionais para não haver interrupções.

Como avalia a época feita pela equipa até agora?
- O grupo está estável, numa série interessante, e sinto-me orgulhoso porque todos têm crescido individualmente e mentalmente. O objetivo é só a permanência, até porque o orçamento mensal é baixíssimo. Mesmo assim, o clube não nos falha.