Pensou em ser motorista e agora resolve no CdP: conheça a história

Pensou em ser motorista e agora resolve no CdP: conheça a história
Filipe Rodrigues Ferreira

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Nem sempre pensou em ser futebolista - motorista era uma opção viável -, mas a vida levou-o por esse caminho e agora destaca-se no Amarante. Chegar à seleção guineense e às ligas profissionais é um objetivo.

Drogba Camará marcou o golo da vitória frente ao Leça, que permitiu ao Amarante lutar pela subida à Liga 3, e diante do Marítimo B, no arranque desta fase. Sente-se confiante, com faro de golo, e ambiciona os profissionais.

Está a atravessar um bom momento de forma...
-Estou a sentir-me bem e feliz com este bom momento, e com golos decisivos.

O Amarante começou bem. Está confiante de que podem subir à Liga 3?
-Somos uma equipa muito forte e unida. Sabemos que não podemos cometer muitos erros, mas é uma meta da equipa. Com a resposta que estamos a dar, confio que podemos chegar lá, embora a concorrência seja muito forte.

Tem como objetivo ser o melhor marcador desta fase?
-Estou numa boa sequência de golos, estou a ganhar mais confiança e começo a acreditar que é possível.

Cresceu na Guiné-Bissau. Desde criança ambicionou ser futebolista?
-Nunca cresci com a ilusão de que ia ser jogador de futebol. Não joguei na minha infância, porque os meus pais não tinham condições para que eu pudesse começar tão cedo. Portanto, não tinha isso em mente. Jogava só com os amigos. Com 13/14 anos é que comecei um pouco mais a sério e comecei a acreditar que podia dar certo.

Como é a situação familiar, atualmente?
-Sou o único da família a trabalhar e quase todos dependem de mim. Mas estou a conseguir dar tudo o que precisam, estou a segurar as coisas, graças a Deus.

E se não fosse futebolista, qual seria a sua profissão?
-Em pequeno, acompanhava muito o meu pai, que era motorista. E sempre achei que podia seguir os passos dele. Se não fosse jogador, acho que seria motorista como o meu pai.

Com a pandemia, tem tido mais dificuldade em viajar para a Guiné-Bissau. Há quanto tempo não vai lá?
-Já há dois anos que não vou lá. Com a pandemia não consegui viajar. Estou com tantas saudades da família... este ano espero conseguir passar alguns meses com eles.

Voltando ao futebol... passou pela seleção sub-23 da Guiné-Bissau.
-Estive numa seleção de sub-23 para jogar uma Taça no Senegal. Foi um projeto para inserir alguns jogadores que ainda não tinham chegado à seleção principal e que poderia ser um forma de lá chegar. Eu fiz parte e gostei muito. Seleção principal? Tenho esse objetivo e as coisas estão a correr bem. Mas há muitos jogadores de qualidade e, estando no CdP, é mais difícil conseguir, porque estou a competir com jogadores que estão na Liga NOS e na Liga SABSEG.

Que sonhos de futuro tem?
-Apesar de ter 26 anos, sonho muito alto ainda. Estou muito focado em chegar às ligas profissionais. A Liga NOS, quem sabe. Desde que saí da Guiné-Bissau que tenho esse sonho, que ainda não atingi.