Patrick Canto deu vida ao Santa Marta: "Profissionalismo não é um contrato"

Patrick Canto deu vida ao Santa Marta: "Profissionalismo não é um contrato"

Treinador encontrou cenário de quatro derrotas, zero golos marcados e nove sofridos. Venceu os últimos dois e encheu o plantel de alento.

Quatro jogos, quatro derrotas, zero golos marcados, nove sofridos e o último lugar da série B partilhado com o Macedo de Cavaleiros: este foi o cenário que levou o estreante Santa Marta a mudar de treinador e foi também o desafio que Patrick Canto encontrou, ao substituir Justino Ribeiro no comando.

Duas semanas depois, os transmontanos bateram o Macedo de Cavaleiros (1-0) e no passado domingo o Berço (2-1) e ganharam uma nova vida. "Melhor era impossível. Animicamente, encontrei uma equipa debilitada e estas vitórias dão-nos alento para o que falta jogar", explica o professor de Educação Física em Moimenta da Beira.

Os treinos em Santa Marta de Penaguião realizam-se ao fim da tarde e misturam um plantel que tem semiprofissionais, mas também barbeiros, professores, funcionários camarários, seguranças e administrativos, entre outros. "Treinamos por volta das 19h00, chego a casa entre as 22h30 e as 23h00 e no outro dia às 7h00 já tenho de estar a pé. Quem anda por gosto não cansa. O profissionalismo não é um contrato, mas sim uma atitude", sublinha.

Ciente de que a missão de alcançar a permanência é "complicadíssima", Patrick Canto tem, porém, uma crença enorme no plantel. "Estes jogadores vão trabalhar até ao limite. O clube está a fazer a estreia no CdP, a estrutura está a dar um salto qualitativo e tem as suas dores normais de crescimento, mas só podemos trabalhar e sonhar", justifica. A interioridade não ajuda. "Temos pouca matéria-prima por estarmos longe dos grandes centros. Os jogadores têm de vir de longe, alguns ficam-nos muito caro, pois temos de fornecer alojamento e esta interioridade reduz bastante as nossas opções. Os clubes daqui têm de ter um orçamento muito superior aos restantes para poderem fazer equipas competitivas. É algo que acaba por estar associado à desertificação do país", concluiu o técnico de 44 anos.