No Campeonato de Portugal há um mar de dúvidas no meio da quarentena

No Campeonato de Portugal há um mar de dúvidas no meio da quarentena

PREMIUM >> Campeonato de Portugal - O JOGO ouviu os receios de quatro jogadores de cada Série quanto ao futuro da prova e todos eles garantiram estar a cumprir um isolamento voluntário

De Montalegre a Olhão, do continente às ilhas: o coronavírus está a parar o país, a preocupar o mundo do futebol e, neste caso, os jogadores que disputam o Campeonato de Portugal. O JOGO quis saber como têm sido os últimos dias de quatro atletas, um de cada série da prova, e todos eles garantiram estar a cumprir uma quarentena voluntária.

Em Trás-os-Montes, Vítor Alves, lateral-direito/central do Montalegre, falou de uma região "preocupada" com a pandemia. "Estou fechado em casa e só saio para fazer o indispensável", afirma. O caso de Tomé Mendes, lateral-direito do Castro Daire (Série B) é diferente, pois o defesa é o único deste painel que tem outra profissão. "Trabalho numa concessionária de automóveis mas, em princípio, a partir de amanhã [hoje] já ficarei em casa porque a concessionária vai funcionar com serviços mínimos", explica. João Peixoto é o capitão do Praiense (Série C), emblema da ilha Terceira onde no domingo foi diagnosticado o primeiro caso de infeção por Covid-19.

"As pessoas assustaram-se quando souberam e nota-se menos movimento. Estou a ser o mais cuidadoso possível e não saio de casa. Depende de todos nós pararmos este contágio", sublinha. O médio está a tirar um curso de técnico de exercício físico, mas as aulas foram suspensas. João Vasco, avançado do Olhanense (Série D) teve autorização para voltar para Viana do Castelo, de onde é natural. "Só os jogadores estrangeiros ficaram no Algarve. O que temos a fazer é isolarmo-nos nas nossas habitações", defende.

Quando é que o futebol vai voltar é uma pergunta para a qual ainda ninguém tem resposta. Restam um mar de dúvidas que se alastram aos jogadores, com Vítor Alves a propor uma solução. "Talvez tenhamos que acabar a época fazendo jogos a um ritmo domingo-quarta-domingo", aponta. Contudo, Tomé Mendes lembra os problemas que isso pode causar a jogadores de uma competição... não profissional. "Não temos preparação para darmos uma resposta a 100 por cento com dois jogos por semana. Além disso, a maior parte dos meus colegas no Castro Daire trabalha e, se assim, for, os jogos terão que ser em horário pós-laboral e nunca às 15h00. Mais: somos sujeitos a viagens longas e no dia seguinte temos que trabalhar, e nem toda a gente tem com quem deixar os filhos", comenta. João Peixoto aponta a insularidade como outro problema. "Já ouvi falar na hipótese de jogarmos domingo e quarta-feira no continente, só que essa não é uma hipótese fácil em termos logísticos", observa.

A própria Direção-Geral de Saúde e o Governo não sabem precisar quando será o pico da doença, o que levanta dúvidas quanto ao regresso dos campeonatos. Praiense e Olhanense lideram os respetivos agrupamentos e João Vasco deixa no ar a possibilidade de passar o CdP diretamente para os play-off de subida, apurando os clubes consoante a classificação atual. "Sei que seria uma solução injusta para muitas equipas, mas será complicado encaixar jogos a meio da semana num escalão amador", argumenta.

Para Vítor Alves, o Campeonato de Portugal não pode ser retomado sem uma mini pré-época. "Precisaremos de treinar durante duas ou três semanas antes de voltarmos a jogar", salienta. Por agora, os quatro atletas tentam, como podem, manter a forma física em casa. "Hoje [ontem] aproveitei a chuva que afastou muita gente das ruas e fui correr 12 quilómetros", conta Vítor Alves.