Movimento sobre o Estádio de Espinho diz que processo está "parado"

Movimento sobre o Estádio de Espinho diz que processo está "parado"

O documento refere-se ao projeto de 4,5 milhões de euros para edificação de um recinto desportivo que, nesse concelho do distrito de Aveiro, vem há mais de 40 anos sendo prometido à população sem chegar a concretizar-se.

O designado Movimento Estádio Municipal de Espinho (MEME) dirigiu hoje uma carta aberta ao presidente da autarquia, reclamando que, três anos após a inscrição dessa obra no orçamento da Câmara, o respetivo processo de construção está "parado".

O documento refere-se ao projeto de 4,5 milhões de euros para edificação de um recinto desportivo que, nesse concelho do distrito de Aveiro, vem há mais de 40 anos sendo prometido à população sem chegar a concretizar-se.

O imóvel em causa destina-se a acolher eventos competitivos e culturais, e funcionará também como sede do Sporting Clube de Espinho - que, desde o encerramento do Estádio Comendador Manuel Oliveira Violas a 20 de maio de 2018, devido à avançada degradação do recinto e à insolvência do clube, vem treinando no Estádio do Bolhão, em Fiães, no concelho vizinho de Santa Maria da Feira.

Na sua página da rede social Facebook, o MEME define-se atualmente como "apartidário", conta com 1.532 seguidores - entre os quais o próprio presidente da Câmara e outros elementos do Executivo camarário liderado pelo PSD - e diz ter como objetivo "informar a comunidade espinhense sobre a importância de todo o processo envolvendo a construção do tão almejado estádio".

É com base nessa premissa que a carta do movimento alerta para a atual "falta de informação em redor do tema" e recorda: "O 7 de maio de 2017 foi um dia marcante para o rejuvenescimento do Sporting Clube de Espinho, um dia de união e festa como há muito não se via nas gentes do concelho, e também um dia de compromisso do presidente Pinto Moreira, (...) que, perante milhares de pessoas que se deslocaram à Câmara Municipal, deu a sua palavra quanto à inscrição de verbas no orçamento de 2018 para construção do Estádio e [disse] que no mandato 2017-2021 ele seria uma realidade".

O MEME defende, contudo, que, três anos depois dessa promessa, o processo está estagnado: "Quando pensávamos que a etapa mais crítica tinha sido ultrapassada, tudo ficou parado. Depois de dezembro de 2019, [por altura] do lançamento do concurso público para construção do Estádio, nunca mais tivemos esclarecimentos do Município sobre esse processo".

Realçando que "a aprovação de alguns orçamentos municipais só se verificou graças à promessa de construção do Estádio", o movimento nota que o terceiro e último mandato autárquico de Pinto Moreira "está a terminar" e reclama, por isso, que a autarquia disponibilize sobre o assunto "qualquer informação que possa dar".

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Espinho diz que não é altura de comentar o tema.

"Não presto declarações sobre o assunto enquanto decorrer o procedimento concursal - que foi lançado em meados de dezembro de 2019 e ainda está em curso", disse.

Concebido por Rui Lacerda (1954-2018) e Diogo Lacerda, o projeto arquitetónico do Estádio Municipal de Espinho foi apresentado ao público em meados de 2018, quando a previsão da autarquia era que o concurso para adjudicação da empreitada fosse concluído até meados de 2019, para a obra arrancar logo depois e ficar pronta no prazo de 18 meses - o que remeteria a sua conclusão para o final de 2020.

Em 2018 e 2019, contudo, o tema motivou algumas das assembleias municipais mais participadas de sempre na história do concelho, porque, perante a indisponibilidade inicial de PS, BE, CDU e Movimento Pela Minha Gente para aprovarem o orçamento em que se inscrevia a obra e autorizarem o empréstimo bancário necessário para a concretizar, o minoritário PSD acusava essa pposição de uma "atitude baixa e concertada" para impedir a construção do estádio.

Após grande agitação local sobre o assunto, o recurso à banca acabaria por ser aprovado na assembleia municipal e, entretanto, o empréstimo de 1,8 milhões de euros para a empreitada de 4,5 milhões já obteve o devido visto do Tribunal de Contas.