Lourosa indignado: "Não devemos salvar uns e sentenciar à morte outros"

Lourosa indignado: "Não devemos salvar uns e sentenciar à morte outros"
Cláudia Oliveira

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O Governo não autorizou o regresso da II Liga nem a disputa do playoff de subida do Campeonato de Portugal para a segunda divisão. O Lusitânia de Lourosa mostra-se revoltado com a decisão e espera que os responsáveis a repensem.

O Lusitânia de Lourosa, emblema que ocupava o segundo lugar da Série B do Campeonato de Portugal, a oito pontos do líder Arouca, mostra-se estupefacto e revoltado pelo facto do play-off de subida à II Liga não se realizar, alegando que se há condições para se jogar na I Liga, também as haverá para disputar as partidas do play-off.

"Jamais se poderá alegar que esta decisão tão dispare, se baseia em questões de saúde pública, pois se para uns existem condições, também deveriam existir para os restantes, na firme certeza, de que não existem cidadãos de primeira, de segunda ou de terceira, nem devemos jamais salvar uns e sentenciar à morte outros", pode ler-se no comunicado.

A formação aveirense refere que a Federação Portuguesa de Futebol falhou com a sua palavra e vinca que esta decisão revela uma "total falta de respeito para com os clubes que militam" na terceira divisão.

O Lourosa diz ainda não querer acreditar que se trate de uma decisão "definitiva" e que, portanto, deve ser "repensada". A finalizar, os leões dizem ir "até às últimas consequências" para "defender os interesses" do emblema lusitanista.

Leia o comunicado na íntegra:

"Filhos de um Deus Menor"

Foi com um misto de estupefação e revolta, que o Lusitânia de Lourosa tomou conhecimento da não realização do play-off de acesso à 2ª Liga, conforme a FPF havia garantido, desde o inicio de abril, aos 8 clubes que o iriam realizar, nos quais se incluía obviamente, o Lusitânia de Lourosa.

Em bom rigor, foi sempre pedido pela FPF aos 8 Clubes que aguardassem serenamente, pois em articulação com o Governo e a Direção Geral da Saúde, a breve trecho, iriam ser anunciadas as datas de inicio dos treinos, bem como as datas e os locais onde se iriam realizar os jogos de play-off.

Assim, face ao que nos era transmitido semanalmente pela FPF, através do Dr. Carlos Lucas, seu responsável do departamento de competições, o Lusitânia de Lourosa, atuou e preparou-se, na firme convicção que os jogos de play-off seriam agendados e a competição seria retomada.

Porém, a FPF, falhou com a sua palavra, anunciando agora que a competição não será retomada.

Ao invés, é agora anunciada apenas a retoma da primeira liga, num claro sinal de que existem dois pesos e duas medidas.

Aliás, jamais se poderá alegar que esta decisão tão dispare, se baseia em questões de saúde pública, pois se para uns existem condições, também deveriam existir para os restantes, na firme certeza, de que não existem cidadãos de primeira, de segunda ou de terceira, nem devemos jamais salvar uns e sentenciar à morte outros.

Tal situação, é reveladora de uma total falta de respeito para com os Clubes que militam no principal campeonato gerido pela FPF (a 1ª e a 2ª Liga estão na alçada da Liga Portuguesa de Futebol Profissional).

Esta decisão, queremos acreditar, não será definitiva e deverá ser repensada, em conjunto pelo Governo, Liga, FPF e respetivos clubes, podendo passar, conforme previsto inicialmente, pela realização do play-off de acesso à 2ª Liga, ou em alternativa, por um alargamento desta.

A ser definitiva, esta decisão, implicará obrigatoriamente que a FPF reúna com os 8 clubes a quem garantiu a realização do play-off, discutindo os termos de uma indemnização, pelos danos desportivos e financeiros que esta acarreta.

Pois, da mesma forma que o Lusitânia de Lourosa é uma referência, por cumprir religiosamente com todos os seus compromissos, o que infelizmente parece ser uma exceção no espetro desportivo nacional, tem legitimidade para exigir da FPF o mesmo comportamento.

Nesse sentido, temos a obrigação de ir até às últimas consequências, na defesa dos interesses do nosso clube, por respeito aos 96 anos da nossa história e pelos nossos sócios, adeptos e simpatizantes, que são únicos e merecem da nossa parte, toda a dedicação e empenho na defesa do Clube.

Por fim, lamenta o Lusitânia de Lourosa, o total silêncio da direção da AF Aveiro, bem como da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, pois deviam e teriam a obrigação de lutar a nosso lado.

Apesar disso, sozinhos ou acompanhados, não nos calaremos!!!

A Direção
1 de Maio de 2020"