"Não se equilibra, perdeu capacidade de visão, tem dificuldades em falar..."

"Não se equilibra, perdeu capacidade de visão, tem dificuldades em falar..."
Cláudia Oliveira

Tópicos

Bruno Pacheco, lateral-direito do Gulpilhares agredido no jogo em casa dos Dragões Sandinenses, já teve alta, mas enfrenta longo processo de recuperação.

Após dez dias de internamento, o futebolista Bruno Pacheco teve alta, no dia 21, mas tem ainda pela frente um longo período de recuperação, consequência dos episódios de violência no final do Dragões Sandinenses-Gulpilhares, da Divisão de Honra da AF Porto, a 10 de março.

O lateral direito foi agredido na sequência da confusão no final do jogo e sentiu-se mal no final de jantar desse domingo. Atendido no Hospital de Santo António, foi enviado para casa, onde na manhã seguinte desmaiou, com queixas de não sentir o lado esquerdo do corpo. De novo atendido no Santo António, veio a confirmar-se um traumatismo craniano, com a obstrução de uma veia e, neste processo, em momento não totalmente identificado, teve um AVC.

Teve alta, mas com reservas e indicações específicas e vai fazer reabilitação física, na esperança de recuperar na totalidade, algo que os médicos não garantem. "Vai enfrentar um processo de fisioterapia demorado. Não se equilibra sozinho, perdeu capacidade de visão no olho esquerdo - que está a recuperar -, tem dificuldades em falar... Há uma quebra muito grande para aquilo que ele era antes disto. O nosso maior receio é que haja mazelas irreversíveis", explicou a O JOGO fonte familiar, com a esperança, no entanto, que "o Bruno recupere a 100%".

Até agora, a família focou-se nas questões médicas, mas o regresso de Bruno a casa dá oportunidade de olhar para a situação de outra forma. "Agora vamos tentar dar atenção às questões legais. O assunto está entregue a um advogado", revelou a fonte familiar, preferindo não se alongar em pormenores. Ontem, o presidente do Gulpilhares, que visitou o atleta no hospital, reuniu-se com a família para perceber o que pode ser feito para ajudar, visto que não houve ainda qualquer apoio de seguros.

Na bancada, no malfadado dia, estavam a esposa e o filho de seis anos de Bruno, Salvador, que assistiram a toda a confusão. A família apela "às várias entidades com responsabilidades no desporto e na sociedade que tomem medidas para travar estes comportamentos".