Marco Gonçalves confessa agressão a árbitro, mas não refere ameaças posteriores

Marco Gonçalves confessa agressão a árbitro, mas não refere ameaças posteriores

Julgamento do antigo jogador do Canelas arrancou esta sexta-feira, no tribunal de Gondomar.

Marco Gonçalves, ex-jogador do Canelas confessou esta sexta-feira ao tribunal de Gondomar ter agredido um árbitro em 2017 e disse-se "arrependido", mas nada esclareceu sobre alegadas ameaças à vítima e família, em momento posterior, no acesso aos balneários.

"Fiz o que não devia ter feito", disse o arguido, Marco Gonçalves, referindo-se à agressão ao árbitro José Rodrigues com uma joelhada no nariz, após ter sido expulso no decorrer de um jogo entre o Rio Tinto e o Canelas, da fase de subida do campeonato distrital do Porto, a 2 de abril de 2017.

"Não consigo explicar [o que fiz], nada explica uma agressão", acrescentou o arguido ao depor no início do julgamento.

Além da agressão, o processo alude a expressões intimidatórias da integridade física do árbitro e suscetíveis de coartar a sua liberdade, já no túnel de acesso aos balneários, mas o arguido disse não se recordar dessa parte da acusação.

"A partir daí [do momento da agressão] bloqueei completamente", declarou.

Algumas testemunhas oculares também chamadas ao tribunal de Gondomar disseram não ter ouvido quaisquer ameaças ao árbitro no túnel de acesso aos balneários e outras garantiram o contrário. Um dos que nada ouviu e nada reportou no seu auto de notícia foi o chefe de polícia presente no local que, no entanto, citou outros agentes da PSP igualmente destacados para o jogo de Rio Tinto.

Face a esse depoimento, o tribunal decidiu chamar os agentes a depor na próxima sessão do julgamento, marcada para 7 de novembro.

Neste processo, o arguido está acusado de um crime de ofensa à integridade física qualificada e de outro de ameaça agravada.

Diz a acusação que Marco Gonçalves, depois de agarrar o juiz pelo pescoço e de fazer uma "gravata", "puxou-lhe a cabeça e desferiu-lhe uma pancada com o joelho, atingindo-o na cara, especialmente no nariz".

Em consequência da agressão, José Rodrigues esteve doente durante 60 dias, com igual afetação da capacidade para o trabalho, acrescenta.

O árbitro reclama, por isso, ao arguido uma indemnização global de 32 mil euros, dos quais 25 mil se reportam a danos não materiais.