Guerra de umbigos emperra estádio do Espinho: saiba todos os pormenores

Guerra de umbigos emperra estádio do Espinho: saiba todos os pormenores

Assembleia Municipal para votar o empréstimo destinado à construção do recinto foi encerrada.

A construção de um estádio novo para o Sporting Clube de Espinho é uma história com décadas, mas que nunca esteve tão atual como agora. Os espinhenses, inseridos na Série B do Campeonato de Portugal, estão sem casa desde o ano passado, altura em que se mudaram para o Estádio do Bolhão, em Fiães. Do Comendador Manuel Violas restam apenas ruínas e o novo recinto, a ser construído pela Câmara Municipal e cujo principal utilizador será a equipa da Costa Verde, está no papel há bastante tempo e dificilmente ficará concluído em 2020 - o empréstimo terá de ser aprovado e só depois irá a concurso público, o que demora no mínimo seis meses...

Mais recentemente, o pedido de empréstimo por parte da autarquia não foi a votos na Assembleia Municipal, depois de José Carvalhinho, do Partido Pela Minha Gente (PMG), ter apresentado um requerimento para que fosse encerrada a assembleia. "No nosso entendimento, havia uma irregularidade por incumprimento da Lei das Finanças Locais", explicou a O JOGO o deputado, que descartou qualquer tentativa de travar o processo que beneficiará o Espinho. "O estádio está há dois anos no papel. Começou por ter um orçamento de dois milhões de euros e já vai em 4,1 milhões. Quem está a usar o Espinho como arma de arremesso é o presidente da Câmara, que prometeu um estádio municipal sem ter as condições financeiras adequadas", frisou José Carvalhinho. "Sou sócio com quotas pagas e fui ex-atleta", acrescentou.

Vicente Pinto, vice-presidente da autarquia e responsável pelo pelouro do Desporto, sublinhou que os "interesses dos espinhenses estão a ser prejudicados". "Esta é mais uma manobra dilatória que faz sofrer a câmara, porque tem o dobro do esforço para conseguir viabilizar estes projetos; o Espinho, porque tem de jogar fora do concelho, com as despesas inerentes; e sofrem os espinhenses. Vamos conseguir encontrar uma solução", declarou.

Entretanto, a Direção do Espinho vai solicitar a marcação de uma assembleia geral extraordinária para discutir a situação. Contactado por O JOGO, o presidente, Bernardo Gomes de Almeida, traçou o cenário mais negro possível, caso a promessa não passe a certeza. "Sempre travámos uma luta para que não houvesse derrapagem de datas, mas vemo-nos envolvidos no meio de uma luta política que só prejudica os interesses de um clube centenário e de utilidade pública. Esquecem-se de que estão a atrasar um processo que é vital para a sobrevivência do Espinho. Esta situação não pode continuar muito mais tempo, senão o Espinho vai desaparecer", avisou. O dirigente deixou ainda críticas ao poder político. "É mais uma guerra de umbigos e estão a usar o Espinho como arma de arremesso", atirou.