"Uma coisa é virar um golo, agora dois? Houve adeptos a ir embora ao intervalo"

"Uma coisa é virar um golo, agora dois? Houve adeptos a ir embora ao intervalo"
André Bastos

Diogo Santos esteve para renovar com o Academico de Viseu, mas o jogador, com uma larga experiência na II Liga (236 jogos), aceitou o convite do Felgueiras, muito por culpa de uma chamada de Bruno China.

Aos 37 anos, Diogo Santos, que fez toda a formação na Oliveirense, já passou por muitas peripécias no mundo do futebol. Ainda assim, a que presenciou na receção ao Alverca (3-2), num jogo em fez um dos golos da reviravolta do Felgueiras, conseguida após o intervalo, vai direitinho para o álbum de momentos mais épicos que viveu. O médio, que esteve para renovar com o Académico de Viseu, garante que tomou a decisão certa e espera que o final da época lhe traga ainda mais motivos para sorrir.

A perder 2-0 ao intervalo, o Felgueiras esteve quase com um pé fora da subida... Onde foram buscar forças para aquela recuperação?
-As forças estavam lá. Estávamos frustrados com o que estava a acontecer. Da primeira vez que o Alverca foi à baliza, fez golo. A intenção era entrar logo forte e o golo sofrido abanou um bocadinho e ao levar o segundo, perdemos ainda mais o discernimento. Na segunda parte, vimos o que tínhamos de mudar e o marcar cedo galvanizou a equipa. Ficámos mais assertivos.

Foi a reviravolta mais épica ou recorda-se de outras também marcantes?
-Tinha de ir aos registos [risos]. Foi bastante intensa porque uma coisa é virar um golo, agora dois? Ninguém estava à espera e pelo que disseram, até houve adeptos do Felgueiras a ir embora ao intervalo. Não houve um único jogo em que estivéssemos a perder e conseguíssemos dar a volta.

Que razões aponta para esta má entrada? Algum nervosismo, por virem de dois resultados negativos?
-Se ainda sonhávamos e quiséssemos depender de nós, só tínhamos um caminho, que era ganhar. Não senti que o facto de termos perdido os dois jogos anteriores, nos causasse alguma intranquilidade. Agora, sofrer um golo caído do céu é que mentalmente nos deitou um pouco abaixo.

Os três golos resultaram de cantos. São lances em que vocês são fortes?
-O último golo de bola parada curiosamente também fui eu que fiz, frente ao Montalegre, mas essa é uma situação que trabalhámos todas as semanas, com o intuito de replicar no jogo o que fazemos no treino. Depois, se atacarmos onde devemos atacar, é só meter lá para dentro e felizmente as coisas correram bem.

Que conversa teve o Bruno China ao intervalo, para manter o grupo motivado?
-Em termos de entrega, nunca podia pegar por aí. Foi mais no sentido de retificar para estarmos mais concentrados, mais vivos e próximos para corrigir os erros dos colegas. Para subir, temos de ganhar todos os jogos e neste momento dependemos de nós. A forma como ganhámos este jogo ainda nos dá mais alento para o final. Só temos de acreditar a partir do momento que estamos nesta fase, senão mais vale ir para outra profissão.

É um jogador com algum passado na II Liga... Por que motivos escolheu o Felgueiras para continuar a carreira?
-Queria estar em campeonatos profissionais, tudo indicava que iria continuar no Académico de Viseu, até gostava para acabar o último ano na faculdade de Desporto em que me matriculei lá, mas houve alguns problemas e a renovação não se concretizou. Entre vários clubes, o míster Bruno China ligou-me e a força quando um treinador liga, é sempre mais apelativa e ainda bem que o fiz porque foi uma escolha acertada.

Aos 37 anos, ainda se sente com capacidade para jogar mais épocas?
- O objetivo é subir de divisão pelo Felgueiras, agora estou fresquinho como uma alface e depois logo se vê, quem manda é o corpo. Hoje em dia, cada vez se aposta mais nos jovens e está a fechar-se a porta às "carcaças". O foco será sempre terminar o curso, pois o futebol um dia acaba e o curso é sempre uma mais valia.

Alcunha de Javi García, troca com Aimar e a ida furada para a Rússia
Duas vezes campeão nacional, onde subiu à II Liga, com Oliveirense e Arouca, Diogo Santos acrescentou outra subida à I Liga pelo Santa Clara, como momentos mais marcantes de uma carreira, onde também passou por Famalicão, Ac. Viseu, Gil Vicente e os romenos do Brasov. "No primeiro ano do Arouca na II Liga [2010/11], chamavam-me Javi García, pela agressividade com que disputava os lances. Nessa época, marquei ao Benfica na Luz para a Taça [5-1] e no fim, tive o prazer de trocar de camisola com o Aimar, que era um jogador que admirava bastante", contou o médio, que esteve para rumar à Rússia na temporada seguinte (Orenburg), mas "um desacordo com os valores prometidos, inviabilizou o negócio". Para concluir, Diogo revelou que "viveu no Gil Vicente a pior experiência, devido a uma lesão grave, mas teve a felicidade de conhecer lá a atual esposa, Diana".