"Achavam estranho não ser convocado e perguntavam-me se fazia coisas erradas"

"Achavam estranho não ser convocado e perguntavam-me se fazia coisas erradas"
André Bastos

O Aves abriu as portas a Mozino num ano inglório. Agora brilha e desfaz as dúvidas sobre o seu valor.

Mohamed Cheik Ali Touré é conhecido no mundo do futebol por Mozino, alcunha que um treinador lhe pôs no centro de formação da Costa do Marfim. No Canelas 2010 há duas temporadas, o extremo é uma das figuras dos gaienses, que lideram com o Felgueiras a zona norte da Liga 3, após o triunfo sobre o Fafe (3-2), no qual o costa-marfinense apontou um dos golos, o sexto da temporada.

"O objetivo no início da época era fazer dez golos. Ainda tenho alguns jogos para o conseguir", revelou Mozino, que já superou os remates certeiros da época anterior (cinco) e tem ainda cinco assistências. "O meu ponto forte é a velocidade e uso o físico como uma das armas", sublinhou o jogador, de 24 anos, assumindo que, depois de um arranque aquém do esperado, em que a primeira vitória só chegou à quinta jornada, o Canelas 2010 atravessa agora a melhor fase, com quatro triunfos e dois empates nos últimos seis jogos. "Queremos ficar nos quatro primeiros. Perdemos um pouco a concentração no início; era uma competição nova, com muitas câmaras, e demorámos a adaptarmo-nos", confessou Mozino, que na carreira teve como ponto mais alto a chegada ao Aves, em 2019/20. "Fui contratado para jogar na equipa A, fiz a pré-época, mas passei para os sub-23 porque o treinador [Augusto Inácio] não me deu oportunidades. Os colegas até perguntavam se fazia coisas erradas, porque achavam estranho eu não ser convocado. No final, ainda me estreei na I Liga, fiz quatro jogos com o Nuno Manta, mas a altura não foi a ideal, porque havia muitos problemas", contou, frisando: "É uma questão de tempo até voltar a esse patamar."

CAN: três favoritos e uma certeza
Desafiado a eleger os favoritos a vencer a CAN, Mozino não teve dúvidas. "O Senegal, a Argélia e o Egito são os três favoritos, mas, se me perguntas quem vai ganhar, digo que é a Costa do Marfim", brincou o ala, que, além de Portugal, também já passou por Espanha e Catar, guardando com carinho os tempos em que começou a jogar. "Tenho saudades do futebol de rua, havia muita alegria, jogávamos sem chinelos e camisa e fazíamos muitos torneios", disse o jogador, que concilia o futebol com outro trabalho no "El Corte Inglés", acrescentando que Sacko (V. Guimarães), Eric Bailly (Manchester United) e Ibrahim Sangaré (PSV) foram amigos de infância.