Nuno Pereira com veia goleadora: "A posição do Anadia na tabela é mentirosa"

Nuno Pereira com veia goleadora: "A posição do Anadia na tabela é mentirosa"

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André Bastos

No penúltimo lugar da tabela, o Anadia venceu o até então líder S. João de Ver. Segundo Nuno Pereira, o técnico Alexandre Ribeiro já tinha vaticinado o triunfo que "vai reanimar a malta"

Há duas épocas no Anadia, Nuno Pereira, que fez parte da formação no Boavista, está ligado a duas realidades distintas nos bairradinos.

Na temporada anterior, um ponto separou a equipa-sensação, na altura comandada por Miguel Valença, da subida à Liga SABSEG, e na atual campanha o mau início já levou a mudanças na estrutura e na equipa técnica. Mas impulsionado pelas duas vitórias consecutivas - Braga B e S. João de Ver -, nas quais o extremo fez dois golos, o Anadia ainda vai a tempo de mostrar o real valor.

No último jogo, o Anadia ganhou ao S. João de Ver, a única equipa sem derrotas nesta Liga 3. Que impacto terá este resultado para o futuro?
-Estávamos a precisar de uma vitória destas para reanimar a malta. Apesar de a equipa ter feito bons jogos, a bola não estava a entrar e esta vitória veio mostrar que o grupo tem valor. Ainda acreditamos que vamos alcançar coisas boas.

À entrada para essa jornada, o Anadia estava na penúltima posição e o rival era líder. Qual foi a chave para vencer esse duelo?
-A nossa posição na tabela é mentirosa, porque a equipa tem qualidade. Apenas não estávamos a ter os resultados que merecíamos. Como o míster disse, estávamos preparados para ser os primeiros a ganhar a esta equipa e foi o que aconteceu. Apesar de estarmos cá em baixo, somos muito unidos e temos um plantel forte. A união foi a chave.

O Nuno Pereira marcou nas últimas duas vitórias... São momentos especiais estar ligado à melhor fase da época?
-Por acaso fui eu que fiz os golos. Fiquei muito contente por isso, mas o mais importante foi ter ajudado a equipa a ter bons resultados. Contra o Braga B marquei logo no primeiro minuto, foi o golo mais rápido da minha carreira.

O que sentem que o grupo está a fazer de diferente para ter afastado os maus resultados?
-Continuamos a ser fiéis ao nosso futebol. Temos de estar unidos, ganhar mais duelos e preocuparmo-nos primeiro em defender. Às vezes estávamos a fazer bons jogos, mas nos pormenores defensivos as outras equipas acabavam por marcar e estragavam a nossa exibição.

Entre setembro e outubro, o Anadia acumulou uma série de seis derrotas no campeonato e chegou a falar-se em salários em atraso e problemas financeiros. As questões estavam relacionadas?
-Não, aliás isso até foi tudo mentira. As coisas não estavam a acontecer... Às vezes não dá para explicar, não foi um problema de estrutura. Houve mudanças de Direção e equipa técnica, mas não foi isso a razão das derrotas, apenas a bola não estava a entrar... Até porque a entrada de investidores japoneses foi benéfica.

Entretanto, houve também uma mudança de treinador. Saiu Miguel Valença e entrou Alexandre Ribeiro; como avalia ambos?
-Gostei de trabalhar com os dois, apesar de serem diferentes. O Miguel Valença ensinou-nos muito, no ano passado fez o que fez pelo Anadia e quase subíamos à II Liga; foi por um ponto. Fez um excelente trabalho e todos temos saudades dele. O Alexandre já o conheço desde os dez anos, quando jogava no Oliveira do Douro com o meu irmão [Miguel Pereira]. Ele treinava os juniores e trabalhou com o meu pai [Luís Pereira], que era adjunto. Nunca tinha sido meu treinador, mas estou a gostar. É cativante, enérgico e ativo nos treinos. A malta tem de estar sempre ligada e isso, se calhar, ajudou a equipa em alguns aspetos.

Na época passada, o clube ganhou a série no CdP e disputou a fase de subida à II Liga. Que explicações encontra para passar de surpresa a desilusão?
-Não sei explicar. Tentámos manter o núcleo duro, ficaram cerca de oito jogadores, mas as coisas não estavam a correr bem. Na pré-época fizemos excelentes jogos, jogámos contra equipas da II Liga e ganhámos, mas quando começou o campeonato os resultados não apareceram.

Na formação esteve cinco épocas no Boavista. Foi o clube que mais o marcou?
-Foi, porque é um clube diferente. Na altura, não era a melhor fase do Boavista, estava no Campeonato de Portugal, mas mesmo assim os panteras estavam sempre ligados e havia uma relação jogador-adepto muito forte. É bom, mas quando as coisas não correm bem... Também gostei da forma de trabalhar do Petit, é um treinador muito direto e não usa palavras caras.

Cabelo rapado na estreia com direito a gorro caro de Frechaut

Com uma ligação longa ao Boavista, clube que representou durante cinco épocas, tendo sido ainda emprestado ao Gondomar e Felgueiras depois disso, Nuno Pereira recordou o episódio mais marcante.

"Ainda era júnior, mas chamaram-me para o último jogo da época, que era com o Camacha. No plantel principal havia jogadores mais velhos, como o Carraça, o Frechaut e o Ricardo Silva. Eles apanharam-me e a praxe foi rapar-me o cabelo", contou, revelando que, depois, Frechaut ficou com pena dele e até lhe ofereceu um gorro Giorgio Armani no aeroporto.

O extremo contou também outra história caricata no início de carreira, no Oliveira do Douro. "Uma vez fiz falta e o meu irmão [Miguel Pereira] é que levou vermelho. Somos gémeos e o árbitro confundiu-nos."