Ferrinho, o rei de Fafe: "Com esta idade, ainda engato uma terceira sempre a dar-lhe"

Ferrinho, o rei de Fafe: "Com esta idade, ainda engato uma terceira sempre a dar-lhe"
Melo Rosa

O golo ao Pevidém, nos descontos, que deu a vitória ao Fafe, por 2-1, foi o motivo da entrevista, mas o extremo Ferrinho encantou-nos com muitas outras histórias curiosas, como por exemplo a da sua alcunha...

Faz 36 anos na terça-feira, mas diz que continua a "engatar bem a terceira" no relvado, tem já 351 jogos e 33 golos pelo Fafe e o último valeu um precioso triunfo sobre o Pevidém, conquistado nos descontos, perto do apito afinal. Estas são apenas duas das principais notas de Nuno Daniel Nogueira Pereira, pai de Victória, "uma menina linda de um aninho", que aqui começa por contar o motivo de um curioso batismo.

Porque é que é conhecido por Ferrinho?

-Quando jogava nos Ases de S. Jorge, nos infantis, e levava porrada nas pernas e umas valentes caneladas, caía muitas vezes, mas punha-me a pé como se nada fosse e os adeptos, na bancada, comentavam "fogo este rapaz é como um ferrinho". E pronto, a partir daí fiquei com a alcunha de Ferrinho [risos].

Foi para o Fafe com 22 anos. É a sua segunda casa, uma autêntica família?

-Sim, sim, sem dúvida. O Fafe acolheu-me bem, é um clube respeitador e tenho um orgulho enorme em representar este clube. Nunca me faltou com nada, vai ficar para toda a vida.

Vai fazer 36 anos dentro de poucos dias. Já pensou pendurar as chuteiras?

-Ainda é cedo para pensar no final da carreira. Sinto-me bem fisicamente, não estou a pensar abandonar já, só se alguma coisa correr mal.

Gostava de jogar a este nível até aos 40 anos?

-Até aos 40 não sei se não será muito, mas até aos 38, talvez. Será até me sentir bem... Quando não me sentir capaz de jogar a este nível não haverá problema, pego nas chuteiras e encosto-as a um canto.

O Ferrinho é extremo, ainda tem a mesma velocidade que tinha quando chegou ao Fafe?

-Com esta idade, ainda engato uma terceira sempre a dar-lhe. Sinceramente, não corro como quando tinha 24 ou 26 anos, mas ainda corro bem...

Quando entra nos jogos, os adeptos aplaudem-no de pé e a bancada parece que quase vai abaixo. Sente-se arrepiado nesses momentos e o que significa para si?

-É uma coisa espetacular e arrepiante. Quando entro em campo dá-me ainda mais motivação para continuar a fazer o que gosto, que é, naturalmente, jogar futebol. Quando o povo me aplaude em força penso "ó pá vai ser hoje que vou fazer um golo".

Foi isso que sentiu no último jogo, com o Pevidém, em que entrou aos 80 minutos e marcou nos descontos, nos últimos segundos?

-Nesse jogo estava mesmo a sentir que ia fazer um golo. Tive uma primeira oportunidade e pensei: "Se não foi desta, a seguir vai lá para dentro". E, cinco minutos depois dos 90, percebi que a bola ia cair aos meus pés e, após um livre, chutei de primeira para o fundo da baliza. A minha primeira reação foi festejar com o público - um bocadinho longe da bancada, infelizmente -, porque eles merecem por tudo o que fazem por nós, são a nossa família. Os adeptos são a nossa terceira família.

E como é que se sente em relação ao seu clube de sempre?

-Muito sinceramente, sinto-me como um rei de Fafe. Já dei muito a este clube e vou continuar a dar. Sinto muito esta camisola, dou tudo de mim em campo e este é, sem dúvida, o meu grande amor. Esta é a pura realidade.


"Pediu-me para o ajudar e, nas férias, aproveito para juntar mais algum dinheiro"

Ferrinho é profissional como todos os jogadores do Fafe, mas nas férias trabalha numa empresa especializada em captação de água , propriedade de um amigo. "É duro, mas é mais um extra", contou. "Ele trabalha no estádio, pediu-me para o ajudar e, nas férias, aproveito para juntar mais algum dinheiro", acrescentou o extre-mo que sonha voltar a jogar na II Liga, onde em 2016/17, por causa de uma lesão, fez apenas seis jogos pelo clube do coração. "O meu objetivo é sempre chegar mais longe com este clube. O Fafe merece estar num patamar mais acima, tem uma boa estrutura e condições suficientes para estar num nível mais alto", defendeu, apontando o objetivo a atingir na série A da Liga 3. "Para já, pretendemos ficar nos quatro primeiros lugares da nossa série e depois logo se vê o que vai acontecer", atirou.