Destaca-se com golos na Liga 3: "Dizem que estou a rematar de olhos fechados..."

Destaca-se com golos na Liga 3: "Dizem que estou a rematar de olhos fechados..."
João Maia

O avançado Théo Fonseca marca há quatro jogos seguidos. Há um ano estava sem clube e agora é a figura do Felgueiras, líder da série 1

Théo esteve sem clube até dezembro do ano passado e agora brilha na Liga 3. Filho de pais portugueses, nasceu em França e só se mudou para Portugal quando o V. Guimarães o contratou, em 2018/19. Não sonhava com um início assim e diz ficar mais nervoso a dar entrevistas

Alguma vez tinha conseguido uma série de quatro jogos seguidos a marcar?

-Em França, quando era sub-17, creio, marquei em cinco jogos consecutivos. Como sénior, nunca tive um registo assim.

Qual é o feedback que tem recebido dos colegas no balneário?

-Como a equipa mudou muito e só ficaram três jogadores, os que permaneceram gozam comigo. Dizem que estou a rematar de olhos fechados e coisas assim.

E se lhe dissessem antes do início da temporada que ia ter uma fase destas, acreditaria?

-Não acreditaria. Valorizo a vitória da equipa e não fico a pensar se marquei um ou dois golos, ou que estou a marcar há alguns jogos.

Nasceu em França, mas fala um português perfeito. Sempre teve contacto com a cultura portuguesa?

-Os meus mais são portugueses, a minha mãe de Montalegre e o meu pai da Póvoa de Lanhoso. Quando era mais pequeno, vinha de férias, cheguei a ir à Seleção Nacional em sub-17 e sub-18, e depois vim para o V. Guimarães, em 2018.

O convite do V. Guimarães criou-lhe um friozinho na barriga?

-Fiquei muito contente. O meu pai, Vítor Fonseca, jogou lá e ia ver algumas vezes os jogos. Sempre gostei do Vitória.

No entanto, na época passada a aventura no V. Guimarães chegou ao fim... Ficou desiludido?

-No início fiquei triste. Queria ficar no V. Guimarães, mas esta é a vida de um futebolista e todos sabem que pode acontecer isso. O convite do Felgueiras deu-me confiança, acreditaram em mim e ajudaram-me imenso. Estive sem clube até dezembro e ter aparecido o Felgueiras deixou-me muito feliz.

Numa fase de evolução na carreira, como é que se mantém a forma durante tantos meses sem clube?

-A confiança é difícil de manter. É preciso continuar a trabalhar sozinho, e nisso tive a ajuda do meu empresário. Foi importante ter um personal trainer. A alimentação também é importante, o sono e tudo isso. No fundo, continuei a treinar como se estivesse a representar um clube.

Há um ano, por esta altura, não tinha clube e um ano depois está a dar entrevistas. Fica mais nervoso em frente a um guarda-redes ou a um jornalista?

-Não estava habituado a dar entrevistas. Tenho de estar com a cabeça limpa e os pés bem assentes no chão. Acho que fico mais nervoso ao dar a entrevista [risos].

Bruno China é "muito próximo"

Bruno China, treinador do Felgueiras, tem uma qualidade em particular que Théo destaca. "É muito próximo dos jogadores e isso dá-nos bastante confiança", realça. O objetivo passa por ficar "nos quatro primeiros", embora agora o grupo esteja a sonhar com algo mais. "Temos trabalhado ao máximo e as coisas estão a acontecer. Estamos naturalmente contentes. O objetivo era ficar nos quatro primeiros, mas agora, com a época a correr desta forma, claro que queremos e pensamos no topo", concluiu o avançado.