Exclusivo Vítor Cardoso: o mundialista da Austrália que resolveu adiar o salto

Vítor Cardoso: o mundialista da Austrália que resolveu adiar o salto
Pedro Rocha

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37.º aniversário d' O JOGO - A paixão incondicional pelo Espinho travou-lhe a ambição. Deve a estreia nos seniores a Manuel José, mas teve receio

Entre os 17 e os 20 anos, Vítor Cardoso parecia tocar no firmamento. Treinava e jogava pelos seniores do Espinho, impressionando os adeptos pelo virtuosismo e maturidade competitiva, e era presença regular nas seleções nacionais jovens, juntamente com Costinha, Pedro Henriques, Poejo, Porfírio, Kenedy e Bambo, entre outros. Por essa altura, o FC Porto e o Boavista acenaram-lhe com convites, mas o apego ao clube do coração e o receio de dar um passo maior do que a perna fizeram com que virasse as costas aos dois gigantes portuenses. Ainda estava no começo e, por certo, não faltariam novas abordagens de grandes clubes num futuro próximo, pensou ele e o pai. Puro engano.

O tempo foi passando e o médio/lateral nunca conseguiu dar o ambicionado salto, caindo progressivamente numa espécie de anonimato em escalões secundários, ao serviço de Aves, União da Madeira, Leça, Oliveirense, Estarreja, Fiães, Nelas, Dragões Sandinenses e Ac. Viseu, até colocar um ponto final na carreira aos 37 anos, quando recuperava de uma rotura de ligamentos num joelho, a única lesão grave que sofreu. Após ter tentado ser treinador (chegou a ser adjunto nos iniciados do Oliveirense e técnico principal dos juniores do Espinho), despediu-se, em definitivo, do futebol para se tornar funcionário do Casino de Espinho. "Ganhava cerca de 120 euros como treinador, era uma coisa quase simbólica. Podia ter dado para mais no futebol, mas não tenho vergonha nenhuma da minha carreira. Usufruí do prazer de jogar e ganhava acima da média. O futebol deu para comprar uma casa e um carro, pelo menos não carrego essas dívidas às costas. Só pelo prazer de jogar, valeu a pena", comenta.