
Cinco: os duelos aéres ganhos por Zé Luís frente ao V. Setúbal
Fábio Poço/Global Imagens
Três dos quatro primeiros golos surgiram de cabeça. Ninguém no plantel tem uma média de duelos aéreos tão favorável nos últimos cinco anos.
Cantos, livres, lançamentos laterais, bolas a pingar no meio-campo: quando é preciso disputar um duelo nas alturas, não há ninguém no plantel do FC Porto que o faça com tanta frequência e eficácia como Zé Luís.
Esquerdino fez quatro golos de cabeça na última época, ao serviço do Spartak Moscovo, e esta temporada já leva três (Krasnodar e V. Setúbal)
A nova arma dos dragões para o futebol aéreo exibiu todo o reportório na receção ao V. Setúbal, não só marcando por duas vezes na sequência de lances em que teve de elevar-se, como ainda ganhou todos os despiques pelo ar que disputou (cinco).
No último dos três golos que apontou aos sadinos, o cabo-verdiano tirou partido da invulgar capacidade de impulsão sem balanço para chegar com a cabeça onde Makaridze não foi capaz de chegar com as... mãos. Pelas imagens televisivas, a altura atingida pelo 20 portista terá sido a mesma que a da trave, ou seja, a rondar os 2,44m.
Esta virtude era sobejamente conhecida de Sérgio Conceição desde os tempos de Braga e foi uma das (muitas) razões que o levaram a sugerir a contratação de Zé Luís à SAD do FC Porto. A característica é genética, resulta do poder de explosão que também o faz ser muito poderoso nos primeiros metros de um sprint e só precisou de ser polida ao longo dos anos.
Capacidade de impulsão vertical do ex-Spartak, com e sem balanço, é das mais altas do grupo e já tinha cativado Conceição na passagem por Braga. Com o V. Setúbal ganhou todos os lances pelo ar
De resto, nos testes efetuados pela equipa técnica nos primeiros dias da pré-temporada, o ex-Spartak Moscovo figurou no topo da tabela na capacidade de impulsão com e sem balanço, equiparando-se aos valores de Felipe (Atlético de Madrid) e Militão (Real Madrid). Por isso, assume-se como uma espécie de farol no futebol aéreo, seja para quem bate as bolas paradas (normalmente Alex Telles) ou para os homens mais recuados (Marchesín, Pepe e Marcano) quando a equipa não consegue contornar a pressão do adversário e sair a jogar.
Utilizando como referência as estatísticas fornecidas pelo portal "Wyscout", percebe-se que Zé Luís é o elemento à disposição de Conceição com a melhor média de duelos aéreos disputados de 2015 para cá. O esquerdino surge com 9,9 despiques por encontro e uma taxa de sucesso de sensivelmente metade (49,7 por cento). Números superiores aos de Soares (8,2 disputados/36,5% de eficácia), Marcano (6,5/66%), Pepe (5,9/65,4%) ou Danilo (5,7/63,8%), que surgem logo atrás do cabo-verdiano neste capítulo.
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Sadinos nas vítimas preferidas e um golo ao Benfica
Os três golos apontados ao V. Setúbal - o segundo hat trick da carreira - tornaram a equipa sadina numa das vítimas preferidas de Zé Luís. São já cinco golos apontados, os mesmos que fez ao Rio Ave, precisamente a outra formação a quem conseguiu marcar por três vezes num mesmo jogo. A diferença é que só defrontou quatro vezes a equipa do sul e seis a de Vila do Conde... Segue-se o Benfica no calendário do FC Porto e o avançado cabo-verdiano até já faturou contra os encarnados quando estava ao serviço do Gil Vicente. Foi na final da Taça da Liga (11/12), mas não evitou a derrota dos minhotos por 1-2. Nos outros dois jogos ficou em branco.
