Ukra recorda época em que o FC Porto venceu a Liga Europa: "O segredo foi Villas-Boas"

André Villas-Boas (Créditos. Pedro Granadeiro)
Ukra ganhou a Liga Europa pelo FC Porto estando do lado do "vice" Braga na final
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O ex-futebolista Ukra conquistou a Liga Europa pelo FC Porto em 2010/11, mas pertencia ao Braga na final, após sair por empréstimo dos dragões a meio da época, sem poder representar os minhotos nas provas continentais.
"Se o Braga ganhasse, também me sentiria vencedor, porque fazia parte desse grupo, treinava todos os dias ali e dava o meu melhor, mesmo sabendo que não podia jogar na Liga Europa. Fui para a final, na qual perdemos, mas fui campeão. Não é muito usual, mas fica mais uma história à Ukra para contar", partilhou à agência Lusa o antigo avançado internacional português, de 37 anos, que esteve vinculado aos azuis e brancos entre 2007 e 2013 e jogou cedido nos minhotos de 2011 a 2012.
Em 18 de maio de 2011, o FC Porto, então orientado pelo atual presidente André Villas-Boas, arrebatou o sétimo e último troféu internacional da sua história, ao bater o Braga (1-0), estreante em finais europeias, em Dublin, na República da Irlanda, com um golo do colombiano Radamel Falcao.
"Em termos de espetacularidade, não foi uma grande final, mas não deixou de ser bem disputada e muito tática. Há sempre aquela tensão e, às vezes, o medo de falhar sente-se mais do que o querer fazer algo diferente", disse Ukra, que esteve sempre ao lado da comitiva minhota depois da final, em vez de aceder às brincadeiras do plantel azul e branco para se juntar aos festejos.
O antigo avançado recebeu a medalha de vencedor, após ser titular no triunfo fora sobre os belgas do Genk (3-0), então de Thibaut Courtois e Kevin De Bruyne, na primeira mão do play-off de acesso à fase de grupos, e suplente utilizado na reviravolta na visita aos austríacos do Rapid Viena (3-1), na quinta e penúltima jornada do Grupo L, que foi disputada num relvado repleto de neve e decidida por um "hat-trick" de Falcao.
"Ele fez vários golos bonitos nessa campanha e era diferenciado na finalização, na ética e no trabalho diário. Quando és profissional, tens qualidade e estás num clube vencedor e com todas as condições, é normal que as coisas aconteçam", observou, sobre o recorde de 17 golos anotados pelo colombiano numa edição da Liga Europa.
Além de voltar a triunfar na segunda competição continental de clubes, tal como tinha acontecido em 2002/03, sob a designação de Taça UEFA, o FC Porto reconquistou o título de campeão nacional sem derrotas e arrebatou a Taça de Portugal e a Supertaça Cândido de Oliveira, na única época com André Villas-Boas, que rumaria aos ingleses do Chelsea no verão de 2011.
"O grande segredo foi ter alguém como ele, que não era muito bom numa coisa, mas um "bom mais" em tudo. Depois, tínhamos grandes jogadores e começámos a formar um grande coletivo. Obviamente, houve quezílias, mas isso acontece em todas as equipas, porque somos competitivos e trabalhamos diariamente para ganhar o lugar. Hulk e Falcao faziam muitos golos, mas não havia inveja de um marcar mais do que o outro", ilustrou.
Os reforços Nicolás Otamendi, agora capitão do Benfica, João Moutinho, contratado ao Sporting, Souza e James Rodríguez, bem como Helton, Rolando, Álvaro Pereira, Fernando, Fredy Guarín, Fernando Belluschi ou Silvestre Varela também foram figuras do FC Porto, do qual Ukra saiu no inverno ao fim de oito embates, os suficientes para conquistar três troféus.
"Era um jovem que queria jogar e mostrar valor, sabendo que seria muito difícil ter mais oportunidades e minutos naquele FC Porto vencedor", reconheceu André Filipe Monteiro, mais conhecido no futebol por Ukra.
Formado no FC Porto, o então extremo vinha de empréstimos ao Varzim e à Olhanense, na qual subiu ao escalão principal como vencedor da II Liga em 2008/09, e rumou ao Braga, então vice-campeão nacional.
Os minhotos eram treinados por Domingos Paciência, ex-avançado azul e branco, e foram relegados da fase de grupos da Liga dos Campeões para as eliminatórias da Liga Europa, sem que Ukra pudesse representar outro emblema na mesma época nas provas continentais, regra já extinta pela UEFA.
Depois de afastar os polacos do Lech Poznan, os ingleses do Liverpool e os ucranianos do Dínamo Kiev, o Braga bateu o Benfica nas "meias" e enfrentou na oitava de 11 finais europeias entre clubes do mesmo país o FC Porto, vitorioso sobre os espanhóis do Sevilha, recordistas de troféus (sete), e do Villarreal e os russos do CSKA Moscovo e do Spartak.
"É diferente quando se compete contra equipas inglesas, espanholas ou italianas, que têm orçamentos diferentes, jogadores com mais qualidade e outro tipo de argumentos. É difícil repetir [uma final 100% portuguesa], mas quem sabe se não pode acontecer outra vez este ano", concluiu Ukra.

