
Taremi e Coates estarão frente a frente no FC Porto-Sporting de sábado
EPA
O habitual 4x4x2 de Sérgio Conceição permitiu a Taremi ter mais espaço para definir na área, enquanto o 3x4x3 de Rúben Amorim tornou Coates num "oásis" de tranquilidade.
Duelo potencialmente decisivo nas contas finais do campeonato, o clássico do próximo sábado pode significar um balão de oxigénio para o FC Porto na perseguição ao líder Sporting ou, pelo contrário, uma via rápida para os lisboetas rumo a um título que foge desde 2002.
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Frente a frente vão estar o melhor ataque (45 golos marcados pelos dragões) e a melhor defesa (dez golos sofridos pelos leões) do campeonato e o tapete verde do Estádio do Dragão promete ser palco de um duelo de fazer faísca, caso não ocorra um contratempo de última hora, entre dois dos principais personagens desses pecúlios.
Autor de 15 remates certeiros na sua época de estreia pelo FC Porto, Taremi chega ao clássico com ação direta em 63% dos golos (quatro tiros e uma assistência) marcados pela equipa nos últimos cinco jogos, enquanto Coates ajudou a fechar a baliza de Adán em cinco dos últimos seis encontros disputados pelos leões, além de ter desempenhado um papel decisivo na épica reviravolta sobre o Gil Vicente, em Barcelos, com dois golos nos últimos minutos. O momento de forma da dupla é superlativo e está diretamente relacionado com a forma confortável como encaixaram nas ideias de Sérgio Conceição e Rúben Amorim.
Contratado este defeso ao Rio Ave para dar mais poder de fogo a uma equipa do FC Porto que tinha ficado sem Soares, Aboubakar e Zé Luís, Taremi tem mostrado a sua melhor face integrado num 4x4x2 com a companhia de Marega. Ao contrário do que acontecia em Vila do Conde, onde era habitualmente utilizado como referência ofensiva num 4x2x3x1, o iraniano deixou de ser o alvo exclusivo dos centrais adversários e tem encontrado mais espaço para colocar à prova um instinto matador que deixou marca desde a chegada a Portugal. Esta temporada, em jogos onde teve um parceiro no ataque, o camisola 9 azul e branco tem estado menos "ocupado" em duelos ofensivos em comparação com os tempos do Rio Ave e subiu os seus números em termos de remates à baliza (3,02 por jogo contra os 2,59 de 2019/2020) e toques na bola no interior da área (5,52 contra 4,12).
Longe de ter os olhos virados apenas para a baliza, Taremi já leva cinco assistências na presente época, merecendo destaque a sua evolução ao nível do acerto dos passes precisos para a grande área (1,73 por jogo contra 0,99 de 2019/2020).
Números refletem as novas vidas do iraniano que, no 4x2x3x1 do Rio Ave, era alvo exclusivo das marcações adversárias, e de um uruguaio de costas quentes que se tornou mais afoito em terrenos avançados
Fazendo jus à braçadeira de capitão que tem exibido desde a saída de Bruno Fernandes, Coates também encontrou no 3x4x3 de Rúben Amorim um porto seguro para se exibir a um nível alto que tem sido constantemente elogiado pelo treinador. Resguardado por dois companheiros no eixo da defesa, o uruguaio tem estado envolvido em menos duelos defensivos em comparação com o que aconteceu em 2019/2020, quando jogou num sistema com dois centrais, e tem sido menos forçado a ações limite para travar os avançados rivais, como está expresso no decréscimo de alívios e faltas em relação aos jogos disputados em 4x2x3x1 de 2019/2020.
As costas quentes à conta das presenças de Feddal e Neto (ou de Gonçalo Inácio) também permitiram a Coates ter um papel mais afoito na missão de pisar terrenos, até então, pouco habituais no 4x2x3x1: subiu o número de recuperações de bola no meio-campo adversário (10,16 por jogo contra 9,53) e a percentagem de sucesso nos duelos ofensivos (57,8% contra 50,8%).
