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Octavio Passos/Global Imagens
Rivais encontram-se este sábado em Alvalade e já viveram situações críticas de debandada de jogadores. Dragões mudariam de liderança e enriqueceram o seu palmarés. Leões querem o mesmo caminho
Embora em circunstâncias e por motivos diferentes, o verão dramático de 2018 que o Sporting viveu e do qual ainda tenta sarar feridas, não é um caso virgem em Portugal no que diz respeito aos efeitos no plantel, leia-se, rescisões de jogadores. Em vésperas de um clássico, em Alvalade contra o FC Porto, O JOGO recorda-lhe aqui como os dragões viveram uma situação parecida no verão quente de 1980, da qual, curiosamente, viriam a reerguer-se bem mais fortes. E se o FC Porto já teve a sua fénix a renascer das cinzas, o Sporting está no processo...
Após a crise portista, o FC Porto arrancou a época seguinte contra o rival deste sábado, em jogo para o campeonato, também em Alvalade, e saiu vitorioso, mas acabaria por ser uma temporada de seca a nível de títulos. No Sporting, há meio ano, quando o clube navegava já em águas turbulentas com instabilidade constante, uma derrota na Madeira com o Marítimo que ditou o adeus aos milhões da Champions levou a acontecimentos ainda por explicar (o caso está em tribunal e mete acusações de terrorismo), protagonizados por adeptos afetos à claque Juventude Leonina: invasão da Academia que gerou um caos que redundou na rescisão de nove atletas, na saída do técnico Jorge Jesus e na destituição (e detenção) do presidente Bruno de Carvalho.
Nos portistas, o desfecho da época 1979/80 (derrota na última jornada do campeonato que entregou o título ao Sporting seguida de derrota na final da Taça de Portugal contra o Benfica) esteve na génese. Saíram o diretor do futebol, Pinto da Costa, e o técnico José Maria Pedroto; 15 jogadores rescindiram e 12 voltaram.
Ligação política e guerra Norte-Sul
O verão quente de 1980 do FC Porto teve os resultados desportivos como ponto de partida, mas o problema foi mais profundo. Depois de ver fugir campeonato e Taça para os rivais do Sul, Pinto da Costa, então diretor do departamento de futebol, e José Maria Pedroto, o treinador, insurgiram-se contra o poder dos clubes da capital e acusaram o presidente Américo de Sá de ser traidor e vender o clube a Lisboa devido às suas ambições políticas (era deputado do CDS) e pessoais. Américo de Sá ripostou e acusou a dupla de querer ser dona do clube e de instigar o clima de guerrilha no futebol.
Nove saídas nos leões, 15 no FC Porto
A revolta do plantel portista no verão de 1980 foi protagonizada por 15 jogadores (Teixeira, Oliveira, Lima Pereira, Frasco, Simões, Fernando Gomes, Freitas, Jaime Pacheco, Quinito, Octávio Machado, Romeu, Albertino, Costa, Sousa e Tibi, dos quais 12 voltaram ao clube); a do plantel leonino em 2018 por nove (Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins, Bruno Fernandes, Bas Dost, Battaglia, Rúben Ribeiro, Podence e Rafael Leão), dos quais três deram passo atrás.
Palmarés portista disparou após a crise
Até à crise portista em 1980, o clube da Invicta tinha um palmarés modesto: 7 Ligas, 4 Taças de Portugal e 4 Campeonatos de Portugal (15 títulos, não estando aqui contabilizadas provas regionais). Depois de 1980, o FC Porto afirmou-se como uma potência nacional, conquistando sete provas internacionais (2 Taças/Ligas dos Campeões, 2 Taças Intercontinental, 2 Ligas Europa e 1 Supertaça Europeia) e 54 títulos em Portugal (21 Ligas, 12 Taças de Portugal e 21 Supertaças).
Pinto da Costa e José Maria Pedroto
Pinto da Costa e José Maria Pedroto saíram do FC Porto no verão de 1980, mas o primeiro venceria dois anos mais tarde as eleições para a presidência dos dragões, onde ainda se mantém e com um sucesso sem paralelo no dirigismo português (basta verificar, no texto acima, como os títulos dispararam na sua gestão). Pinto da Costa foi buscar de novo José Maria Pedroto para o FC Porto, e o técnico contribuiu para a caminhada portista rumo ao estatuto de potência nacional - e internacional.
Sem gás para o Aves, a abrir em Alvalade
Após os incidentes na Academia, o Sporting disputou a final da Taça de Portugal contra o Aves em má condição física e psicológica... e perdeu. Já o FC Porto, depois dos acontecimentos aqui descritos, visitou Alvalade a abrir a época seguinte e saiu vitorioso da capital.
