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Último dia da conferência internacional Football is Medicine incidiu no apelo ao alargamento da modalidade nas comunidades
A visão de um futebol como medicamento, ou seja, como forma preventiva e de cura para problemas de saúde, quer físicos quer mentais, continuou a ser o chavão do segundo e último dia da conferência internacional Football is Medicine, decorrida na Cidade do Futebol, em Oeiras.
O professor e cientista holandês Evert Verhagen brincou com o insucesso da sua seleção nacional para justificar boas políticas, entendendo haver todas as possibilidades para a maior abrangência do futebol nas comunidades, mesmo salientando a importância dos cuidados a ter: "A Holanda caiu dos primeiros lugares. Sinto que a nossa seleção é um exemplo recreativo [risos]. Tal como os medicamentos, desporto tem consequências negativas. Ainda assim, futebol e desporto têm maioritariamente efeitos positivos. Só com muita atividade, existirão riscos. Na corrida, só os praticantes de maratonas aumentam exponencialmente os riscos de lesão. O futebol é o desporto que apresenta mais lesões, daí que o país tenha apostado em dotar as comunidades de parques e campos seguros para poderem brincar", começa por explicar, enunciando até que as crianças têm possibilidade de se integrar em clubes de bairro, completamente gratuitos, organizando-se competições recreativas locais, sem a vertente de rendimento associada.
André Seabra, professor da Universidade do Porto e diretor do projeto Portugal Football School, realçou a importância específica do futebol como resposta à obesidade infantil: "O futebol é a melhor estratégia para evitar a obesidade. Pela popularidade do desporto, por ser económico, fácil de implementar, de perceber e com regras fáceis. Além disso, tudo o que sejam jogos reduzidos implicam grande componente aeróbica, estimulando também a resistência. Não só se diminui a gordura, como se fortalecem os vários músculos e a vertente cardiorrespiratória. Há a tendência para a obesidade decrescer dos 10 aos 18 anos [cerca de 80 milhões das crianças são afetadas pela doença]. Queremos implementar um programa que antecipe a obesidade até aos 10 anos".
Salientando-se a questão de procurar satisfazer os objetivos individuais como uma das propostas necessárias à motivação e de combater especificamente doenças como o cancro, Pedro Teixeira, filho de Artur Jorge, professor da Universidade de Lisboa e membro da Direção-Geral de Saúde, subiu ao palco para reforçar a mensagem de alargamento da modalidade a nível recreativo: "400 milhões jogam futebol. Não é preciso convencer ninguém a gostar de futebol. Futebol recreativo pode e deve ser colocado na sociedade e nas comunidades. Ginásio, marcha, corrida e futebol são as mais praticadas. Faltam programas de comunidade e igualdade no acesso e de género. Pode dizer-se que a inatividade física ainda é uma pandemia. Queremos alterar isso".
A UEFA valorizou a iniciativa, deixando a garantia de que os projetos terão sustentabilidade no futuro. No final de cada palestra, os espetadores levantavam-se 30 segundos, ideia que ficou assinalada e que pode ser uma realidade para apelar à atividade física. A segunda edição ficou já marcada para a Dinamarca, parceiro motriz de Portugal na campanha, para janeiro de 2019.
